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Um Método Perigoso

Já estava ciente do clima morno que envolveu esse lançamento há bastante tempo, mas mesmo assim fui ao cinema com a Sarah conferir o novo filme de David Cronenberg, em sua terceira parceria com Viggo Mortensen. Como deve ser de conhecimento geral, o filme narra os primórdios da psicanálise, num momento em que Freud (Mortensen) já possuía resultados bem avançados em suas pesquisas, mas começava a ceder espaço a novos nomes que pudessem dar prosseguimento aos seus estudos, que é onde entra Jung (Michael Fassbender), um jovem médico que começa a aplicar o método de terapia através da conversa com uma paciente russa (Keira Knightley) recentemente internada na instituição em que trabalha.

Até eu, em minha leiguice, fui capaz de identificar vários defeitos no filme, entre os quais a superficialidade de vários diálogos, a obviedade de alguns takes (como quando Freud guarda todas as cartas e um retrato de Jung em uma caixa e fecha-a no momento em que ambos rompem a amizade) e, principalmente a unidimensionalidade de todos os personagens.

Um ponto que me fez perder toda a fé no filme foi o aparecimento de Otto Gross (Vincent Cassel), um psicanalista meio controverso, que é internado pelo pai para ser tratado por Jung. Nos cerca de 10 minutos em que aparece na tela, sua presença serve apenas como um catalisador para os instintos sexuais de Jung para com sua paciente, uma mera voz na consciência que o permite ceder à tentação. Da mesma forma como entrou na projeção, Cassel sai dela, de repente, ao terminar de fornicar com uma mulher no jardim da instituição, agradecer e pular o muro para a liberdade.

Raso como um pires, Um Método Perigoso é um filme que, se nao pode ser considerado um fiasco completo, é algo muito próximo disso.

(IMDb)

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O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Concluindo a trilogia de maior sucesso do cinema desde Star Wars, temos mais quatro horas de caminhada, batalhas, piadas ruins e homoafetividade hobbit. É o mais legal dos três filmes pois as cenas de ação e batalhas (as únicas realmente legais de toda a trilogia) estão em maior quantidade aqui. Mas isso não impede que sejamos obrigados a aguentar longas sequências do Gollum envenenando Frodo contra Sam, o amor platónico de Éowyn por Aragorn, e deste pela supostamente moribunda Arwen, e de mais cenas com as “desgraças em série” que citei no post anterior.

Mas a coisa que mais me chamou a atenção neste filme foi a infinidade de exemplos de deus ex machina, que você pode descobrir o que é, caso ainda não saiba, no Google. Alguns exemplos que lembro agora de cabeça (tem spoilers, who gives a fuck?):

1. Já sem exército nenhum para lutar contra os orcs, Aragorn subitamente lembra que existe uma civilização de espíritos amaldiçoados que esperam ser libertados para ter paz na morte. Eles fazem um acordo e ajudam os humanos na batalha, obtendo sua redenção ao final da luta.

2. Na última batalha, nos portões de Mordor, cercados por orcs, a guerra parece chegar em um final nada glorioso para os humanos. Eles vão lutando bravamente, aguentando o tranco, mas os Nazgul aparecem para piorar a situação. Seria este o fim da raça humana? Não, pois águias gigantes aparecem para duelar contra os Nazgul.

3. Depois de quase ter sido devorado por uma aranha gigante (babaquice do caralho essa aranha, hein?), Frodo foi capturado por orcs, que tomaram todos os seus pertences. TODOS. O anel? Sam havia pego sem que as câmeras mostrassem.

4. Nesta mesma parte do filme, quando centenas de orcs estavam no local em que Frodo havia sido levado, Sam tinha que salvar seu amigo. Mas como? Oras, inventaram uma briguinha entre os orcs que exterminou quase todos eles, restando apenas dois ou três para Sam matar.

Entre outros que não lembro agora.

Não quero tirar os méritos de Tolkien, porque deve ter sido foda inventar um monte de línguas, descrever diversos lugares e criaturas e essa coisa toda. Mas apesar de toda a grandiosidade da adaptação cinematográfica, a impressão que tive é de que a história não é nada além de bobinha.

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

Segunda parte da franquia que transformou muito marmanjo em ‘fã de Tolkien desde criancinha’ da noite para o dia, As Duas Torres recomeça de onde o seu antecessor havia parado, já com a tal sociedade do anel separada, Gandalf supostamente morto, o mal conquistando o mundo e essas besteiras todas. É já logo no começo do filme que Gollum dá as caras com a sua presença repugnante, que gera imitações toscas até hoje.

É nesse filme que as expressões faciais super convincentes do Frodo começam a ser mais frequentes (expressões que mais parecem Jizz in my Pants – procure no youtube), o olhar apaixonado de Sam já ultrapassa a tênue linha entre o bi-curious e o gay assumido e, em sua jornada, acontecem desastres em série (i.e.: o personagem foge de uma bola de fogo, cai num arbusto macio e se sente aliviado, então aparecem abelhas assassinas e ele corre até um lago, onde novamente se sente aliviado, mas só até aparecer um monstro gigante do lago e ir à sua caça etc etc etc).

Tirando as cenas de batalha, que achei bem feitas, todo o resto é uma grande palhaçada, com as piadinhas mais bobas para dar aquela acordada na galera do fundão, aquela “sinergia” forçada entre alguns personagens e, o pior de tudo: árvores que caminham. Puta negócio babaca, hein.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Se O Senhor dos Anéis fosse um pódio em uma competição de tédio, a medalha de ouro iria para A Sociedade do Anel. Sem querer desmerecer os aspectos técnicos do filme (que já não parecem grande coisa depois de 10 anos), esta primeira parte da trilogia é sonolenta e chata, e tentei assistí-la algumas vezes nesses últimos anos, dormindo antes do fim das comemorações de 111 anos do Bilbo Bolseiro.

O filme trata da primeira parte da saga de Frodo para destruir o anel (“Um Anel” é o caralho), passando por um boteco onde conhece Aragorn e indo até a floresta dos elfos, onde é estabelecida a tal sociedade que dá título ao filme, com vários casaizinhos de bromance (Pippin/Merry, Legolas/Gimli e, surpresa, Frodo/Sam). Os nove da sociedade partem para uma jornada que viria a durar cerca de 11 horas, na versão extendida que assisti com a Sarah. Onze inacabáveis horas.

Entre algumas coisas babacas, destaco a senha para entrar na caverna dos anões. Que charada ridícula, hein?

Espero só assistir de novo essa trilogia quando ela for tão velha quanto Ben-Hur é hoje em dia.

A Estrada

Gosto muito desses filmes pós-apocalípticos com meia dúzia de humanos vivos, procurando comida, matando uns aos outros e esperando a morte chegar mais cedo ou mais tarde. Inclusive, nessas minhas férias maravilhosas e, infelizmente, prestes a terminar, vi com a Sarah alguns filmes que compartilham esse tema e comentarei nos próximos posts.

Até onde prestei atenção, o filme não explica o que aconteceu para o mundo ficar naquela situação, e achei uma boa saída, porque geralmente as explicações são uma merda. (Exemplo: Waterworld, 2012, O Dia Depois de Amanhã etc). A noção de tempo também não fica muito evidente, já que a única referência que temos é a idade do garoto, sem sabermos em que época isto ocorre, e quanto tempo antes do nascimento do garoto tudo começou.

O filme é narrado pelo protagonista, o que geralmente tende a ser ruim, mas nesse caso achei os textos bem enxutos e pontuais. Também não há muitos diálogos, imperando o silêncio durante quase todo o filme, que se alterna entre o “presente” vivido por Viggo Mortensen e seu filho, e os flashbacks de quando sua esposa (Charlize Theron) ainda era viva.

“A estrada” conta ainda com Guy Pearce e Robert Duvall que, admito, não reconheci durante o filme, mesmo sabendo serem rostos conhecidos.

De ponto negativo, somente o chatíssimo ator mirim e o final “feliz” (na medida do possível) meio forçado.

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