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Branca de Neve e o Caçador

Fui ao cinema ontem, com a Sarah, assistir esta nova versão do clássico (não tão) infantil, já esperando uma bomba, um desastre total, mas ao final, há pontos a serem defendidos.

Já na época da divulgação da produção, muito se comentou sobre Charlize Theron ser a madrasta cuja beleza SUPOSTAMENTE seria superada pela da protagonista, Kristen Stewart. Olha, eu posso odiar muita coisa, mas não odeio a atriz da “saga” (muitas aspas aqui) Crepúsculo, acho-a bonita, inclusive, mas convenhamos: é atriz das mais fracas, e seu rosto monoexpressivo limita todas as suas personagens ao mesmo nível insosso dela própria. Theron, por outro lado, é atriz das mais bonitas de sua geração, ótima atriz, agraciada com um Oscar, inclusive. Não vejo muita competição aí.

Outra coisa que me irritou: Chris Hemsworth, o mesmo ator de Thor. Ele é péssimo, fala como se estivesse com a língua inchada, todo enrolado, e o pior é que o colocaram como narrador da sequência inicial do filme. A narração parecia um infinito “HURR DURR”, mas se Sylvester Stallone chegou tão longe falando desse jeito, não vejo motivos para o mundo não dar outra chance a um ator de péssima dicção.

Pra não dizer que não falei das flores, o filme é tecnicamente correto, o figurino é convincente, bem como a maior parte das interpretações. Os anões, especificamente, se saem bem, mas me parece uma decisão mesquinha optar por dar caras famosas aos pequenos diminuindo digitalmente atores full-size (entre eles o ótimo Ian McShane, de Deadwood), ao invés de contratar anões de verdade.

As cenas de batalhas e lutas são eficientes, porém econômicas. Em alguns casos, a impressão que dava é que tentavam fazer uma guerra com apenas 100 soldados de cada lado, parecendo ter faltado dinheiro para contratar mais figurantes.

Ao chegar ao final, fica a certeza de que este é um filme destinado ao esquecimento.

(IMDb)

O Espião que Sabia Demais

Apesar dos comentários negativos sobre o filme, eu, a Sarah e meu irmão, Egon, fomos ao cinema assisti-lo. Infelizmente pude constatar que os comentários estavam certos: o filme, apesar de esteticamente perfeito, das ótimas atuações e de um magnífico trabalho do diretor Tomas Alfredson (Deixe Ela Entrar), falha miseravelmente no quesito tédio. O sono que me acometeu durante toda a projeção só encontra níveis semelhantes no primeiro filme da franquia Senhor dos Aneis e, graças a isso, qualquer esperança de entender o filme (que já parece complicado em condições normais) desapareceu.

Inclusive, sempre lia relatos de gente se levantando e saindo no meio da projeção, uma atitude que eu considero extrema, mas nunca havia presenciado. Talvez as pessoas que normalmente fazem isso não tenham a intenção de protestar contra o filme, sendo apenas uma atitude de “tenho mais o que fazer”, mas penso que a única situação que me levaria a sair do cinema antes do final da projeção seria como protesto a um conteúdo de que eu discordasse radicalmente. Enfim, o que queria dizer é que, pela primeira vez, vi pessoas saindo do cinema durante o filme. Levando em conta que a sala tinha menos de 50 pessoas, se umas 10 saíram já é um número assustador.

Como suspeitei durante a projeção, O Espião que Sabia Demais é baseado em um livro, que provavelmente é bem mais fácil de entender, e conta a história de um grupo de agentes da MI-6 que, durante a Guerra Fria, são afastados da alta cúpula da agência e substituídos por outros agentes, após uma missão fracassada, e posteriormente são convocados pelo governo para investigar a existência de um agente duplo da URSS na equipe.

É um filme que pretendo ver novamente, mas só depois de tomar duas xícaras de café com Red Bull.

(IMDb)

O Ritual

Mais um dos que preferia não ter que opinar a respeito, este filme (visto no ano passado) tenta ser mais um filme relevante de exorcismo em uma época em que ninguém mais consegue acreditar em tais bobagens. Depois de O Exorcista, nenhum filme decente sobre o tema foi feito. E nem antes. Ou seja.

O Ritual conta a história de um jovem que, próximo de concluir o seminário, duvida de sua fé. Não lembro direito o motivo, mas aparentemente a igreja católica premia noviços de fé fraca com viagens ao Vaticano, então lá foi ele ter um curso onde o exorcismo era mencionado. Fraca como era sua fé, o jovem fez pouco caso das coisas ali ensinadas e acabou sendo apresentado ao padre Anthony Hopkins, um sujeito solitário, meio excêntrico, que entre expulsar o belzebu de uma senhorinha aqui e matar o baphomet em um garotinho ali, cuidava dos gatos do beco onde vivia. Sua tarefa, agora, seria ensinar seu ofício ao garoto de pouca fé, mas durante o aprendizado, o próprio padre é possuído e cabe ao garoto salvá-lo.

O tema explorado além da conta não é grande problema perto das atuações canastronas e da total ausência de cagaços em um filme cujo único propósito é, justamente, encagaçar a plateia. E o Anthony Hopkins tá aí, de novo, provando que estou certo quando digo que, tirando os filmes onde interpreta Hannibal, todos (ou a maioria, já que não vi todos) os outros filmes são medíocres.

Se eu adotasse a prática de dar nota aos filmes sobre os quais escrevo aqui, este provavelmente teria recebido uma das notas mais baixas entre os filmes que assisti desde o início do blog.

(IMDb)

As Aventuras de Tintim

Tenho boas lembranças de infância quando assistia Tintim no Cartoon Network, geralmente nas tardes de domingo. Outra lembrança que Tintim me traz era do meu amigo Japa falando que, em japonês, tintin é uma gíria para pênis. Mas aí eu acho que as conversas eram sobre o “tim-tim” que se fala quando faz um brinde, e não sobre o personagem. Que seja.

Posso me considerar uma criança feliz por ter assistido vários episódios de Tintim na TV, e um adolescente feliz por ter lido algumas das HQs. E agora, por ter assistido o filme do Tintim no cinema. Não que se trate de um filme espetacular, mas é sempre bom se deixar levar pela nostalgia que esse tipo de personagem proporciona. É uma pena que uma obra semelhante, Astérix, não tenha tido sua conversão para o cinema levada mais a sério.

Sobre o filme, ele é exatamente o que os críticos têm falado: ação do primeiro ao último minuto. Não há tempo a perder mostrando os personagens indo dormir, ou comendo alguma coisa. Eles estão ocupados demais cumprindo seu papel. Isso foi tratado como um ponto negativo do filme, mas quem via o desenho e lia as HQs sabe que elas eram exatamente assim.

As Aventuras de Tintim é um primor na parte técnica. Tudo funciona de forma perfeita, a animação, música, movimentos de “câmera”, iluminação… é impossível apontar um ponto fraco. Até mesmo o 3D, que eu odeio, ficou muito orgânico, e complementou discretamente a obra. O design dos personagens também ficou ótimo. Manteve as características principais dos desenhos de Hergé, mas os tornou muito mais realistas, mesmo com seus narizes gigantes, queixos protuberantes e corpos pouco anatômicos, mas o que me chamou a atenção foram os olhos. Muitas vezes a câmera captava os rostos de frente e de perto, e apesar de todas as características cartunísticas dos personagens, os olhos eram extremamente reais.

A história eu desconhecia, parece que juntaram as histórias de dois ou três volumes da HQ e o resultado é facilmente comparável a Indiana Jones. Infelizmente, as “charadas” são fáceis de deduzir e não surtem o efeito desejado, o de surpreender, pois acho que o público atual já está mais acostumado com histórias “misteriosas” do que estavam há várias décadas, quando Hergé escreveu as HQs. Neste filme, ao comprar uma réplica de uma caravela, Tintim se envolve numa caça ao tesouro ao ser golpeado e levado a um navio cargueiro antes comandado pelo Capitão Haddock, mas tomado pelo vilão do filme.

Saí do cinema satisfeito. O filme atendeu às minhas expectativas em todos os sentidos. Mas se você não tem muita familiaridade com o personagem, talvém se decepcione.

A única coisa que me decepcionou foi não ouvir a musiquinha de encerramento do desenho animado.

(IMDb)

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