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Drive

Depois de ter sua estreia nacional anunciada para dia 06 de janeiro, ou seja, quatro meses depois da estreia mundial, aguardei pacientemente até tal data. Chegado o dia, para minha surpresa, nada de Drive nos cinemas da grande Florianópolis. Tudo bem, fiquei irritado por alguns dias por achar que seria um filme meio fora do “circuito comercial”, apesar de sua popularidade fora do Brasil atestar o contrário.

Para minha surpresa, a estreia oficial foi alterada para dia 24 de fevereiro. O que as distribuidoras nacionais pensam que estão fazendo? Elas realmente acham que isso, de alguma forma, é benéfico? Tenho certeza que muitos outros, como eu, aguardavam pelo lançamento. Enfim, vocês já sabem o fim da história: filme baixado em torrent, em alta definição, e visto no conforto do lar.

O filme foi altamente aguardado por mim e também pela Sarah (ela, mais pela presença do Ryan Gosling do que pelo filme em si, creio eu), e não faz feio. É um ótimo filme, cheio de classe, com um climão retrô que não dá a sensação do filme se passar nos dias atuais, o que ainda se acentua com a escolha da trilha sonora que, mesmo sendo composta exclusivamente por músicas feitas a partir de 2007, têm um ar “vintage” que só torna as coisas mais interessantes.

Drive conta a história de um motorista cujo nome nunca é mencionado, que trabalha em uma oficina, faz bicos de dublê em cenas de carro em filmes de ação e, quando sobra um tempo, faz as vezes de piloto de fuga em assaltos, mais ou menos como Jason Statham em Carga Explosiva. Ele leva a vida sem muitas novidades até que se envolve com a vizinha, uma mulher casada cujo marido está na cadeia e com ele tem um filho pequeno que cria amizade com o motorista. Quando o marido é solto, rola uma certa desconfiança sobre o limite da “afetividade” entre sua mulher e o vizinho, mas logo os dois se tornam comparsas em um assalto que seria feito para quitar as dívidas do ex-detento, o que acaba colocando o motorista contra a máfia de Los Angeles.

Como falei, o filme é ótimo, mas senti falta de cenas de perseguição. Elas são muito escassas, e tão breves que não dá tempo nem de contrair o esfíncter de nervosismo. Também achei que ficou meio perdida no roteiro a história do carro que estava sendo desenvolvido para que o motorista participasse de corridas. Sobre o elenco, minha única reclamação é da Carey Mulligan, uma atriz muito fraquinha e sem graça.

Estranhamente, o título no Brasil não foi estuprado por um subtítulo esdrúxulo. Sorte igual não tiveram os portugueses, que lá assistem “Drive – Risco Duplo”.

(IMDb)

Tolerância Zero

Outro filme com o Ryan Gosling que vi com a Sarah no ano passado. Acho que se não fosse por ela, eu provavelmente ainda olharia pra esse ator com aquela cara de “quem é esse mesmo?, eu já o vi em algum filme antes”, mas o fato é que trata-se de um ator muito bom, e tem se dado consideravelmente bem nos filmes em que resolve trabalhar.

Não é o caso deste “Tolerância Zero”, um dos primeiros filmes de sua carreira adulta, que achei particularmente uma bosta. Conta a história de um jovem neo-nazista que começa a ganhar certa notoriedade em grupos de extrema direita ao sugerir a retomada de métodos mais violentos contra os grupos por eles combatidos.

Isso não chega a ser um spoiler, mas revela-se que o próprio Gosling é um “ex-judeu” no filme, o que acaba por causar uma certa crise existencial, levando a algumas situações tensas com seus companheiros, como quando invadem uma sinagoga para vandalizar o lugar e o protagonista impede o grupo de avacalhar com a torá.

Achei o filme fraco, e nem é pelo meu desinteresse pelo tema, mas sim pelo filme em si. Acho que daria pra fazer algo muito melhor.

(IMDb)

Namorados para Sempre

Assisti no ano passado este filme, por recomendação da Sarah, que havia visto algumas semanas antes. Esta tradução do título (Blue Valentine, no original) já descaracteriza um pouco a história, que gira em torno de um casal e sua filhinha, intercalando passagens do início do namoro alguns anos antes, com cenas atuais, que mostram o naufrágio da relação do casal e a tentativa constante do marido em resgatar o sentimento que os uniu.

É um filme triste, e a montagem acentua essa tristeza ao construir cenas de extrema felicidade no passado e, no segundo seguinte, cortar para o presente, congelando quase instantaneamente a alegria retratada momentos antes.

As mudanças físicas que o casal de atores se submeteu ajudam a refletir o definhamento da relação com o passar dos anos. Ryan Gosling, em sua versão mais velha, aparece calvo e barrigudo, com um jeito desleixado, raramente desacompanhado de seu cigarro no canto da boca, enquanto Michelle Williams, que tem um rosto de menina, também mostra uma aparência exausta e mais enrugada, parecendo ter envelhecido uns dez anos em um tempo muito menor que esse.

Foi uma surpresa para mim, gostei muito do filme e achei valente a iniciativa de fazer um romance pessimista para um público tão sedento por finais felizes.

(IMDb)

Um crime de mestre

Assisti o filme numa cópia pirata, mal legendada, com o audio ruim e a imagem achatada. ME PRENDAM. Ao final, ficou a sensação de alívio por não ter gasto um centavo sequer para assistir esta bomba. Vamos aos fatos: tirando os filmes que interpreta Hannibal (já sendo de grande boa vontade incluir Dragão Vermelho entre eles), o que Anthony Hopkins fez de bom em sua carreira? Me desculpe se algum defensor do cara discorda, mas ele alterna entre a mediocridade dos filmes que protagoniza com alguns bons momentos em filmes em que atua como coadjuvante.

Neste Um Crime de Mestre, de 2007, ele é um marido corneado que mata sua mulher de tal forma que, mesmo sendo preso “praticamente” em flagrante e com uma confissão não juramentada, não pode ser acusado pelo crime, pois não existem provas que o incriminem.

Paro por aqui. O filme até tem seus momentos de certa tensão, mas o desfecho da história é tão frustrante quando a de Al Capone. Sabem? Sobre ele ter cometido todos os crimes possíveis e imagináveis, mas ser condenado só por sonegação de impostos?

Não chega a tanto, mas é quase isso.

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