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As Aventuras de Tintim

Tenho boas lembranças de infância quando assistia Tintim no Cartoon Network, geralmente nas tardes de domingo. Outra lembrança que Tintim me traz era do meu amigo Japa falando que, em japonês, tintin é uma gíria para pênis. Mas aí eu acho que as conversas eram sobre o “tim-tim” que se fala quando faz um brinde, e não sobre o personagem. Que seja.

Posso me considerar uma criança feliz por ter assistido vários episódios de Tintim na TV, e um adolescente feliz por ter lido algumas das HQs. E agora, por ter assistido o filme do Tintim no cinema. Não que se trate de um filme espetacular, mas é sempre bom se deixar levar pela nostalgia que esse tipo de personagem proporciona. É uma pena que uma obra semelhante, Astérix, não tenha tido sua conversão para o cinema levada mais a sério.

Sobre o filme, ele é exatamente o que os críticos têm falado: ação do primeiro ao último minuto. Não há tempo a perder mostrando os personagens indo dormir, ou comendo alguma coisa. Eles estão ocupados demais cumprindo seu papel. Isso foi tratado como um ponto negativo do filme, mas quem via o desenho e lia as HQs sabe que elas eram exatamente assim.

As Aventuras de Tintim é um primor na parte técnica. Tudo funciona de forma perfeita, a animação, música, movimentos de “câmera”, iluminação… é impossível apontar um ponto fraco. Até mesmo o 3D, que eu odeio, ficou muito orgânico, e complementou discretamente a obra. O design dos personagens também ficou ótimo. Manteve as características principais dos desenhos de Hergé, mas os tornou muito mais realistas, mesmo com seus narizes gigantes, queixos protuberantes e corpos pouco anatômicos, mas o que me chamou a atenção foram os olhos. Muitas vezes a câmera captava os rostos de frente e de perto, e apesar de todas as características cartunísticas dos personagens, os olhos eram extremamente reais.

A história eu desconhecia, parece que juntaram as histórias de dois ou três volumes da HQ e o resultado é facilmente comparável a Indiana Jones. Infelizmente, as “charadas” são fáceis de deduzir e não surtem o efeito desejado, o de surpreender, pois acho que o público atual já está mais acostumado com histórias “misteriosas” do que estavam há várias décadas, quando Hergé escreveu as HQs. Neste filme, ao comprar uma réplica de uma caravela, Tintim se envolve numa caça ao tesouro ao ser golpeado e levado a um navio cargueiro antes comandado pelo Capitão Haddock, mas tomado pelo vilão do filme.

Saí do cinema satisfeito. O filme atendeu às minhas expectativas em todos os sentidos. Mas se você não tem muita familiaridade com o personagem, talvém se decepcione.

A única coisa que me decepcionou foi não ouvir a musiquinha de encerramento do desenho animado.

(IMDb)

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Esqueceram de Mim

Talvez este tenha sido o filme que eu mais vi na minha infância, e esta foi a primeira vez que o vi com o audio original e legendas, o que soou estranho do início ao fim. Depois de ter decorado inúmeras falas em sua versão dublada, ouvir aquela voz diferente falando aquelas coisas em outra língua, por mais que seja a obra original, foi um pouco decepcionante.

Como já é de conhecimento da raça humana em geral, Kevin McCallister foi esquecido em casa após sua família viajar para a França, e o fime mostra como ele se virou sozinho no período, culminando com a defesa de seu lar contra dois bandidos molhados.

A presença de Joe Pesci num papel de bandido “inofensivo”, na época, deve ter sido curiosa, e de certa forma surpreendente, ao atuar num filme “família”, devido a sua presença marcante em Era uma vez na América anos antes, e em Os Bons Companheiros, alguns meses antes do lançamento de Esqueceram de Mim. Fora o fato de Pesci ser uma metralhadora de palavrões (é incrível a habilidade dele de falar vários em uma única frase). Para mim, foi curioso de uma forma inversa. Acostumado com o papel de Pesci neste filme, na adolescência, quando fui conferir os filmes que citei anteriormente, fiquei surpreso.

Esqueceram de Mim é um clássico incontestável de uma geração.

(IMDb)

Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi

Encerrando minhas atualizações por hoje, o sexto episódio de Star Wars é é para ser o supra-sumo do óbvio, o bem triunfa, quem é bom sobrevive, quem é mau morre ou se converte etc. Muito parecido com o final de qualquer novela, mas com sabres de luz. Este filme ainda guarda uma última revelação, que eu não imaginava que a Sarah não soubesse e quase acabei entregando o ouro algumas vezes, que é sobre “o tal irmão gêmeo” do Luke mencionado no filme anterior. Por respeito a alguma outra pessoa que porventura venha a ler isso aqui e ainda não sabe do que se trata, não vou soltar spoiler, apesar de concordar com a teoria de que os spoilers de um filme prescrevem após dez anos do lançamento do mesmo.

Algumas coisas tornam este filme um pouco mais chato que os outros, entre elas:

1. Ewoks e a parte na floresta: ao serem todos capturados por ewoks, esses idolatram C-3PO como seu deus máximo (quando o andróide passou quase a saga inteira se fodendo). Esta parte ficou boba e deslocada com relação ao resto da saga. Dá pra listar vários desenhos animados anteriores e posteriores ao filme onde usam o mesmo estilo de piada.

2. Festa na floresta: Paz restabelecida, todo mundo curte uma balada na selva. Tosco.

3. Remasterização: Pra que diabos botar o Hayden Christensen no lugar do antigo Anakin? Até agora não acredito que as mudanças da remasterização incluiam TROCAR ARBITRARIAMENTE UM ATOR em uma cena que já estava boa e perfeitamente coerente!

Enfim, apesar da primeira parte da saga não terminar com a bola tão cheia quanto o seu começo, permanece sendo um clássico imperdível.

Outro dia posto comentários sobre os episódios I, II e III.

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca

O segundo Star Wars, como era de se esperar, não trouxe nenhuma inovação à narrativa, aos efeitos especiais e sonoros, aos personagens… Tudo foi mantido conforme o que já estava estabelecido no primeiro filme, mesmo com outra pessoa assumindo a cadeira de diretor, o que voltaria a acontecer três anos depois no último episódio da primeira trilogia.

O treinamento de Luke com Yoda hoje pode parecer banal, e realmente lamento por já conhecer a figura do Mestre Jedi quando assisti o filme pela primeira vez, o que invariavelmente tirou toda a expectativa em torno da procura de Luke por seu mestre naquele planeta pantanoso enquanto era atormentado por uma inconveniente criatura verde e idosa de meio metro de altura.

Outro ponto do filme arruinado pelo seu constante uso como referência cultural pop foi o clímax, onde se descobre que Vader não matou o pai de Luke, e sim é seu pai. Sabendo o que esperar do desfecho daquele “papo cabeça”, grande parte do entusiasmo vai por água abaixo.

Lembro do caso do filme Brinquedo Assassino, que foi concebido originalmente para gerar dúvida no espectador se era Chucky ou se era o menino quem praticava os assassinatos, antes de revelar, de uma maneira assustadora, que o boneco realmente tinha vida e não era nada amigável. Neste caso, não foi o conhecimento prévio das cenas que levou a uma quebra de clímax, mas sim o trabalho de porco feito pelos responsáveis pelo título em português (no original, “Child’s Play”).

No mais, um filme divertido e marcante, assim como os episódios IV e VI.

Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança

Já tinha a intenção de assistir a saga Star Wars com a Sarah, mas um dia desses ela estava procurando filmes com doppelgänger e a medida que eu ia lembrando de alguns, fui citando, até que lembrei de Star Wars e o conflito ideológico vivido por Anakin Skywalker nos episódios mais novos. Isso acabou funcionando como teaser, e ela acabou topando ver todos os seis filmes comigo, pacientemente.

A menos que você seja fanático pela série ou tenha 16 anos, você já aprendeu que Star Wars tem uma história rasa, repleta de arquétipos e situações previsíveis, para dizer o mínimo.

Mas quem liga pra isso? Até hoje me emociono ao ver a abertura de cada um dos filmes da série, ao acompanhar a trajetória de cada um dos personagens e ao relembrar trechos das falas, das cenas e dos “defeitos” especiais. É ruim mas é bom.

Acho desnecessário falar sobre o enredo do filme, se alguém por acaso não viu, não sou eu quem vai ficar tentando convencer ninguém a assistir. Mas Star Wars (e aí me refiro aos filmes da trilogia antiga) deveria ser visto por todo mundo, até como forma de entender o que era o cinema antes e depois desse marco. Tudo bem, pode-se dizer que foi um marco negativo, levando em consideração a quantidade de merda absurdamente popular que surgiu no cinema depois de 1977, mas independentemente de ter sido um marco positivo ou negativo, ele foi crucial para uma mudança na forma como se vendia o cinema.

Vou ficando por aqui e continuo falando sobre Star Wars nos posts dos próximos filmes.

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