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O Espião que Sabia Demais

Apesar dos comentários negativos sobre o filme, eu, a Sarah e meu irmão, Egon, fomos ao cinema assisti-lo. Infelizmente pude constatar que os comentários estavam certos: o filme, apesar de esteticamente perfeito, das ótimas atuações e de um magnífico trabalho do diretor Tomas Alfredson (Deixe Ela Entrar), falha miseravelmente no quesito tédio. O sono que me acometeu durante toda a projeção só encontra níveis semelhantes no primeiro filme da franquia Senhor dos Aneis e, graças a isso, qualquer esperança de entender o filme (que já parece complicado em condições normais) desapareceu.

Inclusive, sempre lia relatos de gente se levantando e saindo no meio da projeção, uma atitude que eu considero extrema, mas nunca havia presenciado. Talvez as pessoas que normalmente fazem isso não tenham a intenção de protestar contra o filme, sendo apenas uma atitude de “tenho mais o que fazer”, mas penso que a única situação que me levaria a sair do cinema antes do final da projeção seria como protesto a um conteúdo de que eu discordasse radicalmente. Enfim, o que queria dizer é que, pela primeira vez, vi pessoas saindo do cinema durante o filme. Levando em conta que a sala tinha menos de 50 pessoas, se umas 10 saíram já é um número assustador.

Como suspeitei durante a projeção, O Espião que Sabia Demais é baseado em um livro, que provavelmente é bem mais fácil de entender, e conta a história de um grupo de agentes da MI-6 que, durante a Guerra Fria, são afastados da alta cúpula da agência e substituídos por outros agentes, após uma missão fracassada, e posteriormente são convocados pelo governo para investigar a existência de um agente duplo da URSS na equipe.

É um filme que pretendo ver novamente, mas só depois de tomar duas xícaras de café com Red Bull.

(IMDb)

Alien, o Oitavo Passageiro

Já tinha visto algumas vezes antes, mas há alguns meses resolvemos assisti-lo novamente e só agora comento a respeito por aqui. Quando vi pela primeira vez fiquei maravilhado com a Nostromo, uma nave-cargueira gigantesca (a nave usada nas filmagens provavelmente tinha um metro, ou menos) onde se passa quase todo o filme, e com o design do alien criado por H. R. Giger.

O filme começa com a equipe da Nostromo sendo despertada da viagem de volta a Terra devido a detecção de vida em um planeta próximo de onde ela passava no momento. Pelas leis vigentes, toda nave que recebesse esse alerta deveria dirigir-se ao planeta em questão e investigar o motivo do alerta. Isto feito, alguns dos tripulantes vão até uma caverna e lá encontram algumas centenas de ovos no chão e, ao se aproximar para investigar, um deles é atacado pela criatura que saiu de um dos ovos. Ao retornarem para a nave com um dos tripulantes nesse estado (foto), Ripley (Sigourney Weaver) e Ash (Ian Holm, o eterno Bilbo Bolseiro) discutem sobre permitir ou não que os tripulantes que estavam do lado de fora retornem à nave sem passar pela quarentena, até que Ash resolve, por conta própria, abrir a passagem para eles. Após tentativas frustradas de tirar o facehugger da cabeça de Kane (John Hurt), a criatura acaba saindo por conta própria, e Kane acorda e age naturalmente, até que, numa refeição, começa a se sentir mal e dá à luz um lindo bebê alien, que sai diretamente de seu peito, matando-o instantaneamente. A partir daí começa a perseguição mútua e a revelação de alguns segredos até então desconhecidos.

O filme é ótimo, e melhora a cada revisão, onde podemos focar em estudar as reações dos personagens aos fatos e perceber como “dicas” eram dadas desde o início sobre a índole de alguns deles. Vale a pena, recomendo muito.

(IMDb)

Melancolia

Fomos ao cinema, Sarah e eu, no sábado, assistir a este novo filme do Lars von Trier, sucessor do ótimo Anticristo, de 2009 (que espero rever logo para poder escrever sobre ele aqui). Estávamos bem ansiosos para assisti-lo, e já aproveitamos para conhecer o Cinespaço, novo cinema do shopping Beiramar. A experiência foi ótima, mas provavelmente só por causa do filme e do horário, já que a sala contabilizou apenas 7 espectadores (na sessão das 14h).

Depois de um dispensável trailer do novo filme da “saga” Crepúsculo, o filme começou com uma sequência espetacular em câmera lentíssima alternando cenas dos protagonistas e da Terra em seus últimos momentos, antes do choque com o fictício planeta Melancolia. Estas cenas iniciais, acompanhadas pela abertura de Tristão e Isolda, de Wagner (obrigado, Wikipedia), formam uma sequência tão bela quando 2001: Uma odisseia no espaço, ao misturar música clássica, cenas no espaço, e cenas com seres humanos.

Após este início magnífico, começa a “parte 1” do filme, dedicada a Justine, vivida pela Kirsten Dunst. Ela não é uma atriz por quem tenho muita simpatia, acho que seja até mesmo pouco talentosa, mas admito que neste filme ela esteve muito bem ao retratar uma noiva em estado de depressão, falta de amor próprio e total desapego ao mundo, incapaz de demonstrar felicidade até mesmo no dia de seu casamento.

A segunda parte enfoca sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), aparentemente o oposto de Justine, mulher mais decidida, mãe de uma criança, casada com o milionário John (Jack Bauer Kiefer Sutherland). Nesta parte, já se sabe da aproximação do planeta Melancolia, mas o que é divulgado oficialmente é que ele irá passar próximo a Terra. É então que von Trier confronta o comportamento dos personagens acerca da situação:

Justine age serenamente, como que esperando pelo fim inevitável que trará sua paz;

Claire, sempre serena, assume uma posição desesperada, de enorme apego à sua vida e a de seu filho;

John, ciente do perigo, age com calma para tranquilizar sua esposa e filho, mas sabe que o pior pode acontecer; e

Leo, filho de Claire, é uma criança que, blindada da situação pelos pais, age como se nunca tivesse sabido das reais dimensões do que estava prestes a ocorrer.

Com esses choques de comportamento, o filme segue até seu desfecho, com o fim da Terra e de tudo o que aqui vive ou já viveu, e é inevitável pensar na insignificância da raça humana e sua história de milhões de anos, para sempre apagada da história do universo, de forma que nenhuma outra raça um dia poderia imaginar sua existência.

Nova York, Eu Te Amo

Mais uma boa ideia da Sarah, esse filme é uma “versão nova iorquina” do original francês “Paris, eu te amo”, que ainda não vi, mas pretendo. Na verdade, o modelo do filme abre brecha para que seja feita uma versão correspondente a cada grande metrópole no mundo, pois cada uma possui diferentes tipos de pessoas, lugares e situações que renderiam boas histórias.

“Nova York, eu te amo” é uma compilação de vários curta-metragens de diversos diretores, cada qual explorando uma situação distinta na maior cidade do planeta, e é muito legal acompanhar diferentes estilos de direção, montagem e fotografia ao longo de um filme.

A maioria dos segmentos é realmente ótima, mas alguns não são tão bons, e vale uma menção desonrosa ao curta estrelado pelo Orlando Bloom e pela Cristina Ricci, de longe o mais sem graça do filme.

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