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Elysium

elysiumNovo e aguardado filme do diretor do aclamado Distrito 9, este Elysium lida com um tema semelhante ao seu antecessor: a segregação. Isso pode já não ser mais tão original, mas todos os esforços feitos para escancarar esta característica tão ruim da humanidade não devem ser minimizados.

Elysium se passa cerca de 150 anos no futuro, época em que o planeta Terra sofre com superpopulação, fome, doenças e outras coisas que não chegam a ser uma novidade, e o “1%” (usando o termo popularizado pelo Occupy Wall Street, mas que neste filme deve ser algo em torno de 0,001%, ou ainda menos) vive em uma estação espacial que dá nome ao filme, um lugar que mais parece um grandioso clube de golfe para bilionários. Morar nesta estação espacial foi a forma que os humanos mais ricos encontraram para se verem livres do “populacho” e seus problemas de uma vez por todas.

Não posso dizer que não gostei do filme, mas ele sofre de um grande problema de simplificação exagerada de seus conceitos, o que acaba quase botando tudo a perder. A partir daqui o texto terá spoilers, então parem por aqui se isso for um nicht nicht.

A única motivação que os humanos da Terra têm para tentar entrar em Elysium é seu “sistema de saúde”: uma máquina de cura universal, que detecta os problemas da pessoa e em questão de segundo as deixa curadas. Sem dinheiro e sem lar, em Elysium, uma pessoa estaria sujeita a ter que dormir em árvores e se alimentar de suas frutas – isso até serem descobertas por algum daqueles robôs-sentinela, o que, como pudemos ver no filme, é só uma questão de tempo.

Ao final do filme, com a “hackeada” que dão no sistema da Elysium, diversas naves carregando centenas daquelas máquinas de cura universal são enviadas à Terra, e seu uso é permitido a toda a sua população. Me dou o direito de concluir que, isto feito, ninguém mais ia fazer nenhuma loucura para invadir a estação espacial.

Dito isto, qual seria a motivação para os ricos privarem os pobres daquelas máquinas milagrosas, sendo que havia máquinas daquelas em abundância e, tornando-as acessíveis aos habitantes da Terra, o ímpeto invasor deles desapareceria? Birra?

Fim dos spoilers.

Gostei da atuação dos brasileiros Capitão Nascimento e Alice Braga, principalmente do primeiro. Matt Damon atua no piloto automático e seu personagem toma algumas atitudes egoístas que parecem não condizer com sua personalidade demonstrada em outras situações. (Mais um spoiler:) E por que diabos ele não quis levar a filha da Frey para Elysium sendo que ele tinha conseguido uma vaga na nave invasora para seu amigo, que havia morrido? Custava perguntar pro Capitão Nascimento se podia preencher a vaga com a menininha? (Fim do spoiler)

Esperava mais. Bem mais.

(IMDb)

Deus da Carnificina

deus-da-carnificinaDirigido por Roman Polanski, este filme baseado numa peça de teatro poderia entrar numa lista de “Filmes que se passam em um único ambiente”, e posso dizer que sou um pouco fascinado por filmes assim. Acho um desafio grande contar uma história com esta característica sem cair no tédio, e Deus da Carnificina se sai bem ao apresentar a história de dois casais cujos filhos se envolveram em uma briga na escola e se reúnem no apartamento de um deles para tentar resolver a situação da melhor forma possível.

Não, a “carnificina” do título não é literal, mas figurativamente já dá a ideia do que os espera: as desavenças são tantas que volta e meia os “times” se reagrupam quando o foco da discussão toma rumos diferentes, ora sendo casal contra casal, ora sendo homens contra mulheres e assim por diante.

O filme se sustenta graças ao inegável talento dos atores, sendo três vencedores e um indicado ao Oscar, mas também a uma filmagem simples e eficiente e, claro, à ótima história.

(IMDb)

O Silêncio dos Inocentes

Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator e Melhor Roteiro. As cinco principais categorias do Oscar conquistadas por este filme não deixam dúvidas sobre sua qualidade, por mais que você (e eu) considere o Oscar uma premiação polêmica, injusta e contraditória em muitos casos.

Já falei de Anthony Hopkins neste blog antes, e não foi para falar bem dele. Devo ter comentado que acho-o um coadjuvante de luxo, que geralmente interpreta o mesmo papel e colhe até hoje os frutos do único personagem realmente marcante de sua extensa carreira, o doutor Hannibal Lecter. Não mudei de opinião com relação a todos os outros personagens de Hopkins, mas meu conceito sobre Hannibal aumentou demais agora que revi este filme.

O filme narra a investigação do FBI para capturar o serial killer Buffalo Bill e a ajuda que Hannibal Lecter, preso em uma instituição psiquiátrica, dá a agente Clarice Starling (Foster) para entender a psique do serial killer em questão, que havia sido paciente de Lecter. (Ao contrário do filme sobre o qual postei anteriormente, O Albergue, não vou revelar mais detalhes da trama pra não comprometer a experiência de ninguém, caso ainda não tenha visto o filme).

Na primeira vez que assisti O Silêncio dos Inocentes o filme passou meio batido, achei bom, mas não me interessei muito. Foi depois de ler esta crítica do ótimo Pablo Villaça que me interessei em rever a obra.

Como curiosidade pra quem viu Clerks 2, do Kevin Smith, em um momento Jay está passando batom nos lábios e falando “I would fuck me hard” e coisas do tipo, até que aparece nesta posição. Só agora saquei a referência a idêntica cena em O Silêncio dos Inocentes.

(IMDb)

Contato

Baseado no livro homônimo do falecido Carl Sagan, Contato conta a história de uma astrônoma com algumas dificuldades de obter financiamento em sua pesquisa, que, resumindo, sonsiste em buscar ondas de rádio no espaço que possam significar a descoberta de civilizações extra-terrestres. Eleanor (Jodie Foster) repete, no filme (e com certeza no livro também), muitos dos argumentos utilizados pelo próprio Sagan em seus livros e outras mídias para defender a pesquisa em assuntos espaciais e, também, o ceticismo e ateísmo.

Após a recepção de um sinal de rádio e sua posterior decodificação, os cientistas descobrem que trata-se de um “manual de instruções” para a construção de uma nave espacial que poderá levar um ser-humano para o planeta de onde veio a mensagem, que acaba tendo sua construção aprovada por um comitê internacional. Isso provoca as mais diversas reações na população, e um grupo extremista religioso vê nesta atitude uma ameaça ao seu conceito de Deus, levando seu “líder” a uma atitude que, ao fim, leva Eleanor a ser a escolhida para a missão.

Gostei muito do filme, mas um ponto essencial precisou ser alterado com relação ao livro (que ainda não li): Sagan escreveu a história durante a Guerra Fria e, ao adaptarem o filme após este período, perdeu-se muito do sentimento de constante ameaça que o mundo vivia no período. Ao final, a mensagem do filme é muito semelhante à de Watchmen, HQ também ambientada na época do fim da Guerra Fria, mas parece menos impactante vista fora daquele contexto.

Outra mudança, de menor impacto, foi a necessidade hollywoodiana de criar casais. Eleanor e Palmer (Matthew McConaughey) já começam o filme como um “casal” (não-convencional, com seus problemas, mas a narrativa parece deixar bem claras as intenções de ambos), enquanto no livro, pelo que me informei, nunca fica claro se eles chegaram a ficar juntos, de fato.

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