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Game of Thrones (3ª temporada)

game-of-thrones-3A terceira temporada de Game of Thrones manteve o alto nível das temporadas anteriores, mas o fato de se basear no livro mais extenso da série até o momento prejudicou de algumas formas sua adaptação para a TV. O clímax da temporada, por exemplo, ocorreu no penúltimo episódio, e admito que fiquei decepcionado ao esperar pelo resto dos acontecimentos no último episódio e me deparar com um season finale xoxo, deixando muito a desejar se comparado ao final da primeira e segunda temporadas.

Claro que os acontecimentos narrados no livro já devem ser desconsiderados, não por não terem seu equivalente fidedigno na série, mas por não representarem mais a métrica narrativa concebida originalmente por George R. R. Martin. Se na segunda temporada alguns acontecimentos já haviam sido suprimidos para serem introduzidos apenas na terceira (como Jojen e Meera Reed, por exemplo), a quantidade de acontecimentos do terceiro livro que simplesmente não couberam em seu equivalente televisivo surpreende. A quarta temporada deverá começar com diversos socos no estômago do espectador, já que trará grande parte dos acontecimentos que compunham o clímax do terceiro livro, além do tão comentado nas redes sociais Casamento Vermelho.

Por mais que eu não goste do arco envolvendo as Ilhas de Ferro, senti falta de sua presença nesta temporada. Só foram lembrados no último episódio, até porque não poderiam ficar esquecidos, já que Balon Greyjoy faz parte de um momento chave da história. Ainda me sinto um pouco dividido com relação à atenção dada à tortura sofrida por Theon, causada por Ramsay Bolton. No livro, Theon é completamente esquecido, até que ressurge sob nova identidade após a lavagem cerebral que a tortura lhe causou. Já na série, acompanhamos cada etapa do processo.

Outra coisa que me incomoda na série de TV é a cota de nudez. Tudo bem, em alguns casos ela ajuda, de fato, a compor as cenas, mas em pelo menos metade das vezes a nudez é gratuita, servindo apenas para distrair o público depois de algumas cenas mais “monótonas”.

Sobre a história e as mudanças ocorridas, achei o resultado muito bom. Já faz algum tempo que li o livro em questão, então nem senti muita falta de alguns detalhes que certamente foram suprimidos. A única alteração que me causa preocupação foi a utilização de Gendry (bastardo do rei Robert) para as magias de Melisandre, ao invés de Edric, outro bastardo do rei. Por mais que ambos tenham permanecido vivos, nos livros Gendry torna-se ferreiro dos Irmãos sem Bandeiras.

Outra mudança que me preocupava, mas aparentemente foi bem útil para retirar um pouco da complexidade da trama, foi a inclusão de uma estrangeira como esposa de Robb Stark, ao invés de uma nobre de uma casa vassala dos Lannister. Isso retirou a necessidade de explicar grande parte da armação por trás do casamento que resultou nos acontecimentos vistos no episódio 9.

No arco da Muralha, os acontecimentos foram muito fiéis ao livro, tudo muito bem executado, algo realmente prazeroso de assistir. Creio que, até o momento, seja a parte da história com menos intervenções.

Em Porto Real, os atores precisam de atuações um tanto forçadas para conseguir expressar todo o cinismo e falsidade que, nos livros, ficam nas entrelinhas. Isso prejudica um pouco a experiência, como na relação conturbada entre Cersei e Margaery, ou no desprezo que todos no conselho sentem pelo rei Joffrey e suas atitudes infantis. Na adaptação para a TV, toda a sutileza desaparece.

Do outro lado do Mar Estreito, Danaerys começa a formar um grande exército, mas também vê grande parte dos acontecimentos do livro serem suprimidos para dar lugar a uma trama muito mais simples, muito aquém dos feitos gloriosos que conquista na obra original. Uma adaptação necessária, sem dúvida, mas que deixa um gosto amargo na garganta.

Minhas perspectivas para a quarta temporada são das melhores. Creio que ela servirá para trazer todos os acontecimentos da série até o ponto em que o terceiro livro acaba, visto que ainda falta MUITA coisa, como por exemplo: o casamento de Joffrey e todas as consequências daquele episódio, a batalha na Muralha, a viagem de Arya, os acontecimentos nas Ilhas de Ferro…

Torço para que saibam o que estão fazendo.

(IMDb)

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Game of Thrones (2ª Temporada)

Aproveitei o feriado para assistir a segunda temporada de Game of Thrones, que já vinha adiando há meses. Comecei a assistir na época da estreia na HBO mas me desinteressei, não fui feito pra acompanhar episódios semanais, preciso tê-los todos disponíveis para consumo imediato.

A primeira temporada da série veio cercada de promessas e dúvidas, mas seu sucesso proporcionou aos realizadores tranquilidade e, principalmente, dinheiro para seguir adiante com a temporada seguinte. O avanço que vemos nesse segundo ano em termos orçamentários é sutil, aparece em poucas situações, e quem já havia lido o livro percebeu facilmente os atalhos da produção para evitar gastos excessivos, principalmente no que diz respeito à batalha em Porto Real, onde o uso do Fogovivo foi modificado com este propósito.

Muitas das alterações da adaptação foram bem vindas, pois sintetizam passagens do livro que tornariam impossível a adaptação fidedigna. Entre elas, destaco o arco da história que se passa com Denaerys em Qarth, onde muita coisa foi alterada, personagens que permanecem vivos no livro já se encontram mortos na série e o encontro da mãe dos dragões com um velho misterioso (não vou revelar a identidade dele pra não spoilear) acabou não acontecendo. A jornada de Arya também sofreu diversos cortes e alterações que julgo positivos, e a batalha pessoal de Theon Greyjoy contra sua irmã pelo reconhecimento do pai também ficou boa. Acho o ator que interpreta Theon muito bom, ele transmite muito bem a personalidade do personagem: um jovem arrogante que nunca havia sido posto à prova e de repente se vê obrigado a provar a si e aos outros que é capaz de grandes feitos, deixando aí transparecer sua insegurança e sua sensibilidade (atualização: o ator é o irmão da Lily Allen, Alfie Allen).

Por outro lado, outras alterações foram exageradas e, ao meu ver, algumas até mesmo desnecessárias. A relação entre Stannis e Melisandre, que no livro nunca foi confirmada, bem como a de Renly com Loras, foram escancaradas na série, perdendo um elemento precioso de dúvida em quem assiste. O incesto de Cersei com Jaime é tratado com certa naturalidade por esta ao conversar com Tyrion, o que em momento algum aconteceu no livro, onde a rainha fica irascível quando o assunto é mencionado. A própria relação turbulenta dela com o anão é atenuada na série. Uma grande ausência muito sentida foi a de Meera e Jojen Reed, as crianças do Gargalo, que foram até Winterfell jurar fidelidade aos Stark e acabaram se tornando amigos de Bran, tornando-se peça importante para a continuação da jornada deste último (atualização: pelo menos a presença de Jojen já está certa na terceira temporada).

Outra alteração que me deixou descontente foi com relação ao tratamento dispensado por Robb Stark à sua mãe após a traição desta, permitindo a fuga do regicida. A aspereza retratada na série não condiz com a compaixão do livro, fora o fato de Correrrio ter sido simplesmente ignorada na trama. O casamento de Robb também foi alterado de uma maneira que muda os acontecimentos do livro, visto que, com a alteração da noiva, perde-se o elemento da armação de Tywin Lannister para os eventos que ocorrem no terceiro livro.

Na Patrulha da Noite, a única coisa que senti falta foi o diálogo entre Jon Snow e Qhorin Meia-mão, deixando claro que a “traição” de Snow era premeditada e uma armação para se infiltrar no exército juntado pelo Rei pra lá da Muralha.

A já citada batalha na Baía Negra foi o ponto alto da temporada, a cena das labaredas verdes sobre o mar queimando os navios da frota de Stannis e grande parte de sua tripulação ficou muito bem feita, e a interposição das cenas de batalha com as cenas na fortaleza vermelha, com Cersei e Sansa, funcionou muito bem ao mostrar, também, a aflição daquelas que não sabiam o que se passava no campo de batalha.

Apesar das alterações na trama, acredito que será possível manter a essência da maioria dos acontecimentos para a terceira temporada. Acho que a maioria das alterações foi benéfica para a adaptação, mas citei justamente as poucas que me desagradaram. Só espero que a mudança de rumo em alguns pontos da série não prejudique a história contada nos livros que estão por vir.

(IMDb)

O Festim dos Corvos (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Quatro)

Quem acompanha esta série de livros já deve saber, mas ao contrário dos três livros anteriores, o que deveria ser o quarto livro tinha um número absurdo de páginas devido à quantidade de personagens aos quais o autor cedeu o “ponto de vista”, ou seja, os capítulos narrados de acordo com o que determinado personagem presenciava e pensava. Para contornar a situação, o livro foi dividido em dois, onde cada um ficou com uma parte dos personagens. Infelizmente, na divisão, “O Festim dos Corvos” saiu em desvantagem, pois ficou com a ingrata tarefa de contar algumas das histórias mais aborrecidas e menos interessantes, ao meu ver, além de, pela primeira vez, não terminar com uma grande guerra ou pelo menos algum acontecimento grandioso.

É interessante notar como a história evoluiu ao longo do tempo. Se no início tudo era motivo para sacar a espada e fazer voar sangue pelas páginas, agora já não há mais tantos embates, sendo as desavenças resolvidas na base dos acordos e traições. Das duas batalhas contidas no livro, uma não é narrada (em Pedra do Dragão, apenas relatada por personagens que participaram dela) e a outra é muito curta (ataque dos homens de ferro à foz do Vago).

Alguns capítulos eram realmente chatos de se ler, principalmente os de Alayne (Sansa Stark, disfarçada no Ninho da Águia), mas pelo menos até agora, todas as coisas triviais que acontecem parecem servir para algum acontecimento futuro. O único caso que eu ainda fiquei pouco satisfeito ao final do livro foi o de Brienne, que passou o livro inteiro correndo de um lado para o outro sem chegar a lugar algum. Tudo bem, foi feita uma grande revelação no último capítulo em que ela aparece, mas pelas pistas que eram dadas ao longo do livro, não era a coisa mais surpreendente do mundo.

Um personagem que simpatizei bastante foi Jaime Lannister. Parece que tudo o que havia de irritante nele sumiu junto com sua mão direita. Cersei, sua irmã, por outro lado, mergulha num estado de loucura e paranoia, o que a torna uma das últimas personagens indiscutivelmente “más” da história.

Em Dorne, surge um novo núcleo da história, centrado em Arianne Martell, mas narrado também por outros personagens, algumas revelações muito importantes são feitas, e alguns planos são revelados, o que aumenta a expectativa para o sexto livro (já que o quinto abordará o mesmo período de tempo deste, apenas na visão de outros personagens). Outras revelações importantes são feitas nos capítulos envolvendo o patrulheiro da muralha Samwell Tarly, inclusive o motivo pelo qual os elementos mágicos daquele universo praticamente desapareceram nos últimos anos.

Se este livro perde muito em ação, ganha em manipulações, aprofundamento dos personagens e ampliação do mundo que conhecemos (quase todos os locais de Westeros, e muitos de Essos, são palco de importantes acontecimentos, se juntarmos O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões).

A Tormenta de Espadas (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Três)

Quando vi que se tratava de um livro de quase 900 páginas, levei um susto. Mas ao começar a lê-lo, fiquei surpreso com a manutenção da qualidade da narrativa, a fluidez da leitura e a inserção de novos elementos de forma natural à trama.

Infelizmente, por ser um idiota ansioso, antecipei algum dos acontecimentos deste livro lendo alguns spoilers pela internet. Tive que prometer a mim mesmo não repetir esta atitude ridícula, que acabou subtraindo alguns momentos de apreensão da minha experiência com a história.

George R. R. Martin compartilha uma característica interessante com Quentin Tarantino, que ajuda a distanciá-lo da fantasia ingênua de Tolkien: o total desapego aos personagens que cria. Sem medo de matá-los, de desfigurar seus rostos, de humilhá-los e de cortar a mão “boa” da espada, mesmo tratando-se de livros de fantasia, vemos realidade na história.

Neste livro acompanhamos a ascenção de Daenerys em Essos, o destino do reino do Norte, de seus clãs e da própria Winterfell, a defesa da Muralha com uma ajuda inesperada e também, é claro, todo o jogo de intrigas e traições em todos os outros pontos de Westeros.

Para mim, até agora, o melhor livro das Crônicas de Gelo e Fogo.

A Fúria dos Reis (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Dois)

Tendo como ponto de partida a coroação de Robb Stark como Rei do Norte, este segundo livro das Crônicas de Gelo e Fogo narra a Guerra dos Cinco Reis, além dos acontecimentos em Essos (com Daenerys e seus três recém nascidos dragões) e na Muralha (com a partida de 300 patrulheiros para além da Muralha, a fim de explorar a região e tomar conhecimento dos planos do rei-para-lá-da-muralha).

A narrativa por ponto de vista funciona muito bem, assim como no livro anterior, mostrando os acontecimentos pela ótica de personagens diferentes. Também é louvável o sucesso do autor ao incorporar ao ponto de vista de cada personagem seus pensamentos (muitas vezes intercalando pensamentos no meio de algum diálogo de uma forma ágil e nem um pouco confusa), as memórias e até a ignorância deles relacionada a algum assunto. Não são raros os casos onde, em um capítulo centrado em um personagem, algum ponto misterioso na trama surge, só para ser explicado nos capítulos seguintes, aos olhos de outro personagem que tenha algum conhecimento sobre o assunto.

Neste segundo livro, meus personagens favoritos foram Arya, Tyrion e Jon Snow. A entrada de Theon Greyjoy como um dos personagens com ponto-de-vista trouxe um foco ao núcleo mais chato da história até o momento: os homens das Ilhas de Ferro. Infelizmente, parece que cai sobre eles o foco do quarto livro, que já aguardo com certa apreensão. Outro personagem que surge na trama (e também ganhando alguns capítulos como ponto-de-vista) é Davos Seaworth, um ex-contrabandista e atual cavaleiro nomeado por Stannis Baratheon. Sua inclusão foi muito mais feliz do que a de Theon.

Com uma leitura fluida este livro mantem o nível do primeiro e levanta a bola para os acontecimentos narrados no terceiro livro, que, na minha opinião, eleva muito a qualidade da história.

A Guerra dos Tronos (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Um)

Tinha acabado de ler este livro há um tempo, e agora que comecei a ler o livro dois lembrei de botar um comentário sobre ele aqui no blog.

Como não deve ser necessário explicar, trata-se do livro que deu origem à nova hype da HBO Game of Thrones, uma série que me cativou logo de cara mas, agora que li o livro, percebo como ela é incompleta. No livro, percebemos a grandeza dos acontecimentos, como a recepção do rei e sua comitiva em Winterfell, e as batalhas no final da temporada revelam as limitações orçamentárias da série ao empregar cenas com planos fechados para evitar que vejamos o número deficitário de soldados batalhando, se comparado aos vinte mil descritos no livro.

A narrativa do autor é bem fluida, e parecia até que já havia sido escrita para uma adaptação para a TV ou cinema, pois os capítulos são curtos, como se já sugerissem até mesmo como deveria ser o roteiro da adaptação. Isso parece vir da influência do autor da época em que era roteirista de séries de TV e se desiludiu com as limitações de orçamento que o obrigavam a “podar” seus roteiros para evitar detalhes muito dispendiosos.

Com relação a história, ela é basicamente a mesma da série, mas naturalmente mais detalhada e de compreensão mais fácil devido ao tempo maior para falar dos personagens, bem como revelar seus pensamentos em algumas cenas-chave, onde a interpretação limitada de alguns dos atores nos impedia de imaginar no que eles estavam pensando.

Game of Thrones (1ª temporada)

Incapaz de sobreviver à hype em torno de Game of Thrones sem ao menos saber do que se tratava, resolvi matar minha curiosidade e conferir este novo fenômeno da HBO. Nunca fui de acompanhar séries, sendo que as últimas que lembro de ter acompanhado, pelo menos uma temporada inteira, havia sido Deadwood (também da HBO) e House M. D. em sua primeira temporada.

Foi para minha surpresa que fiquei viciado na obra de tal forma que só havia visto precedentes em (vários) amigos no início do milênio, com Senhor dos Anéis, onde, ao verem os filmes, os tornaram objeto de culto e foram atrás da obra original para aprofundar a experiência.

Não gosto de comparar as duas obras, apesar de possuirem, de fato, algo em comum em suas trajetórias, pois vejo os filmes baseados na obra de Tolkien como tediosos e desinteressantes (pretendo rever, para ver se minha opinião ainda é a mesma daquela época), já Game of Thrones aparece como algo com doses muito menores de mitologia e fantasia, enquanto infinitamente maiores de intrigas, conspirações e traições, elementos que a tornam mais dinâmica que a primeira.

Não vou me aprofundar na descrição da trama pois seria inútil, escreveria demais e não conseguiria dar a devida importância a todos os detalhes.

No momento estou lendo o livro e aguardando impaciente pela estreia da segunda temporada.

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