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Réquiem Para um Sonho

Depois de sua estreia com Pi, Darren Aronofsky lançou o filme que o situou entre os diretores mais promissores desta época, um drama sobre drogas e outros vícios e as suas consequências para as pessoas envolvidas direta e indiretamente.

Réquiem para um sonho foca a narrativa na família Goldfarb: a mãe, Sara (Ellen Burstyn) é uma senhora solitária viciada em programas de auditório que, após ser convidada a participar de seu programa favorito, decide que precisa emagrecer e apela para o uso de anfetaminas. O filho, Harry (Jared Leto), é um garoto problemático, envolvido com o uso de drogas pesadas e que, logo no início do filme, já nos mostra de onde tira o dinheiro para sustentar seu vício: frequentemente vende a TV da mãe para um conhecido, só para, mais tarde, sua mãe comprá-la de volta e tornar possível que o ciclo continue.

O filme acompanha a trajetória de ambos afundando-se cada vez mais nas drogas até que cheguem a um fim trágico, que não necessariamente é a morte. Junto com Harry, sua namorada, Marion (Jennifer Connelly) e seu amigo, Tyrone (Marlon Wayans) o acompanham na jornada psicotrópica.

O filme é muito bem realizado, a agonia é constante e eu, mesmo não sendo muito fã de dramas sobre uso de drogas, gostei demais.

(Filme visto em 2011)

(IMDb)

Pi

Já faz uns meses que vimos este que é o primeiro filme de Darren Aronofsky, e infelizmente muitos detalhes da trama eu já não me recordo, mas trata-se da história de um matemático que acredita que todos os acontecimentos e fenômenos podem ser explicados pela matemática, até que descobre um número de 216 algarismos após seu computador quebrar tentando decifrar o comportamento da bolsa de valores. Atormentado constantemente por dores de cabeça fortíssimas e dando indícios de paranóia e esquizofrenia, o matemático Max vê outras pessoas tendo interesse em seu estudo, como agentes de uma empresa e um matemático judeu que busca interpretar o Torá através da matemática.

Pi é um filme complicado, fiquei sem entender algumas partes, talvez por ignorância na matemática ou na cultura hebraica, mas é muito interessante, e um ótimo cartão de visitas do diretor que, anos mais tarde, seria considerado um dos melhores diretores da atualidade por trabalhos como Réquiem para um Sonho e Cisne Negro. O filme é em preto e branco, com a imagem granulada, o que talvez não fosse a escolha do diretor se ele dispusesse de um orçamento mais generoso, mas caiu bem à obra pois aumenta a sensação de desconforto, como se tomássemos as dores e paranóias do personagem principal.

(IMDb)

Cisne Negro

Assisti Cisne Negro no último fim de semana com a Sarah. Sendo este um filme que já aguardávamos para assistir há algum tempo, não resistimos ao lançamento e fomos ao cinema lotado sabendo que poderíamos ter a experiência arruinada pelo tradicional povo mal-educado e individualista que costuma frequentar esse tipo de lugar. Felizmente estávamos enganados e mesmo com a sala lotada pudemos aproveitar cada segundo dessa obra-prima de Darren Aronofsky.

Cisne Negro já começa com uma abertura linda, que quase me levou aos prantos antes do início efetivo do filme. Conta a história de Nina, bailarina extremamente técnica e perfeccionista que é escolhida para interpretar as protagonistas do balé O Lago dos Cisnes Odette (cisne branco) e Odile (cisne negro). O diretor da peça passa o filme inteiro tentando extrair uma interpretação passional e sedutora de Nina para o cisne negro, mas esta só consegue incorporar com perfeição o cisne branco, por sua similaridade com a própria personagem.

Diversos fatores inseridos pontualmente na trama aumentam a pressão sofrida por Nina, como a chegada de uma nova bailarina menos técnica, mas que se encaixaria perfeitamente no papel de cisne negro, o dualismo de sua relação com sua mãe, o peso de substituir a bailarina aposentada a contragosto pelo diretor que precisava de uma cara nova para atrair investidores e público e, principalmente, a crescente esquizofrenia da protagonista.

O filme foi capaz de provocar simultaneamente duas reações distintas em mim. Ao mesmo tempo em que eu mal podia piscar para não perder nenhum detalhe, sentia a necessidade de sair do cinema para deixar de testemunhar o sofrimento de Nina. No perfeito último ato as lágrimas se tornaram impossíveis de conter, e ao final da projeção, a sensação que predominou foi o alívio pela protagonista ter encontrado seu final feliz.

A interpretação de Natalie Portman está perfeita, e será uma grande injustiça se não for premiada com o Oscar por este trabalho. Aliás, o próprio filme passou a ser o alvo de minha torcida para que seja premiado nas principais categorias, desbancando meu favorito anterior, A Origem.

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