Arquivo da tag: Cate Blanchett

O Talentoso Ripley

o-talentoso-ripleyJá faz pelo menos seis anos que tenho interesse em assistir O Talentoso Ripley, filme protagonizado por Matt Damon, Jude Law “e grande elenco”, mas na verdade nunca soube exatamente do que se tratava. Para minha surpresa, acabei sendo fisgado pela trama, e posso afirmar que no quesito “contrator de esfíncter”, achei o filme ótimo.

Fiquei tenso durante boa parte do filme, principalmente quando a relação entre Tom Ripley (Damon) e Dickie (Law) começa a azedar. Como disse, não tinha conhecimento do desenrolar da história. Para mim, o tal “talento” de Ripley poderia servir pra muita coisa, mas pelas circustâncias que o afundaram numa trama tão complexa de mentiras acabou se tornando um frio assassino, incapaz de simplesmente desistir das mentiras que criou.

Alguns detalhes são questionáveis, principalmente no que diz respeito à aparente incompetência da polícia italiana em resolver um caso criminal (tanto que a investigação parece só chegar a algum lugar depois que um detetive particular americano contratado pelos pais de Dickie entra em cena). E o que dizer da insistência de Ripley em ficar na mesma cidade onde estão diversos amigos de Dickie mesmo sabendo das dificuldades que já vinha tendo em esconder seus atos? Não teria sido mais fácil hospedar-se em outra cidade? Talvez até outro país? Ou a vontade de assumir a vida de seu antigo “irmão” e finalmente ser aceito na elite da sociedade não seria capaz de o fazer medir esforços?

Embalado por Jazz até boa parte do filme, O Talentoso Ripley é distintamente dividido entre a inocência e a maturidade criminosa de seu protagonista, e Matt Damon é muito competente nos dois momentos. Menino de sorriso ingênuo e carente de amor fraternal, que pensa ter encontrado no amigo Dickey, Tom impulsivamente descobre-se capaz de chegar ao extremo de friamente matar seu melhor amigo, roubar-lhe a identidade e matar mais e mais pessoas para preservar o segredo e o status adquirido com a nova vida, sem, no entanto, deixar de demonstrar grande abalo emocional pelos crimes que comete.

Tirando o fato do filme retratar a Europa como uma pequena cidade de interior, onde conhecidos se esbarram por aí a todo instante, o longa é competente e satisfatório, tendo despertado meu interesse em acompanhar outras “aventuras” de Tom Ripley adaptadas para o cinema.

(IMDb)

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Concluindo a trilogia de maior sucesso do cinema desde Star Wars, temos mais quatro horas de caminhada, batalhas, piadas ruins e homoafetividade hobbit. É o mais legal dos três filmes pois as cenas de ação e batalhas (as únicas realmente legais de toda a trilogia) estão em maior quantidade aqui. Mas isso não impede que sejamos obrigados a aguentar longas sequências do Gollum envenenando Frodo contra Sam, o amor platónico de Éowyn por Aragorn, e deste pela supostamente moribunda Arwen, e de mais cenas com as “desgraças em série” que citei no post anterior.

Mas a coisa que mais me chamou a atenção neste filme foi a infinidade de exemplos de deus ex machina, que você pode descobrir o que é, caso ainda não saiba, no Google. Alguns exemplos que lembro agora de cabeça (tem spoilers, who gives a fuck?):

1. Já sem exército nenhum para lutar contra os orcs, Aragorn subitamente lembra que existe uma civilização de espíritos amaldiçoados que esperam ser libertados para ter paz na morte. Eles fazem um acordo e ajudam os humanos na batalha, obtendo sua redenção ao final da luta.

2. Na última batalha, nos portões de Mordor, cercados por orcs, a guerra parece chegar em um final nada glorioso para os humanos. Eles vão lutando bravamente, aguentando o tranco, mas os Nazgul aparecem para piorar a situação. Seria este o fim da raça humana? Não, pois águias gigantes aparecem para duelar contra os Nazgul.

3. Depois de quase ter sido devorado por uma aranha gigante (babaquice do caralho essa aranha, hein?), Frodo foi capturado por orcs, que tomaram todos os seus pertences. TODOS. O anel? Sam havia pego sem que as câmeras mostrassem.

4. Nesta mesma parte do filme, quando centenas de orcs estavam no local em que Frodo havia sido levado, Sam tinha que salvar seu amigo. Mas como? Oras, inventaram uma briguinha entre os orcs que exterminou quase todos eles, restando apenas dois ou três para Sam matar.

Entre outros que não lembro agora.

Não quero tirar os méritos de Tolkien, porque deve ter sido foda inventar um monte de línguas, descrever diversos lugares e criaturas e essa coisa toda. Mas apesar de toda a grandiosidade da adaptação cinematográfica, a impressão que tive é de que a história não é nada além de bobinha.

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

Segunda parte da franquia que transformou muito marmanjo em ‘fã de Tolkien desde criancinha’ da noite para o dia, As Duas Torres recomeça de onde o seu antecessor havia parado, já com a tal sociedade do anel separada, Gandalf supostamente morto, o mal conquistando o mundo e essas besteiras todas. É já logo no começo do filme que Gollum dá as caras com a sua presença repugnante, que gera imitações toscas até hoje.

É nesse filme que as expressões faciais super convincentes do Frodo começam a ser mais frequentes (expressões que mais parecem Jizz in my Pants – procure no youtube), o olhar apaixonado de Sam já ultrapassa a tênue linha entre o bi-curious e o gay assumido e, em sua jornada, acontecem desastres em série (i.e.: o personagem foge de uma bola de fogo, cai num arbusto macio e se sente aliviado, então aparecem abelhas assassinas e ele corre até um lago, onde novamente se sente aliviado, mas só até aparecer um monstro gigante do lago e ir à sua caça etc etc etc).

Tirando as cenas de batalha, que achei bem feitas, todo o resto é uma grande palhaçada, com as piadinhas mais bobas para dar aquela acordada na galera do fundão, aquela “sinergia” forçada entre alguns personagens e, o pior de tudo: árvores que caminham. Puta negócio babaca, hein.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Se O Senhor dos Anéis fosse um pódio em uma competição de tédio, a medalha de ouro iria para A Sociedade do Anel. Sem querer desmerecer os aspectos técnicos do filme (que já não parecem grande coisa depois de 10 anos), esta primeira parte da trilogia é sonolenta e chata, e tentei assistí-la algumas vezes nesses últimos anos, dormindo antes do fim das comemorações de 111 anos do Bilbo Bolseiro.

O filme trata da primeira parte da saga de Frodo para destruir o anel (“Um Anel” é o caralho), passando por um boteco onde conhece Aragorn e indo até a floresta dos elfos, onde é estabelecida a tal sociedade que dá título ao filme, com vários casaizinhos de bromance (Pippin/Merry, Legolas/Gimli e, surpresa, Frodo/Sam). Os nove da sociedade partem para uma jornada que viria a durar cerca de 11 horas, na versão extendida que assisti com a Sarah. Onze inacabáveis horas.

Entre algumas coisas babacas, destaco a senha para entrar na caverna dos anões. Que charada ridícula, hein?

Espero só assistir de novo essa trilogia quando ela for tão velha quanto Ben-Hur é hoje em dia.

Hanna

Desde o início do ano, quando fiquei sabendo deste filme, aguardei seu lançamento no cinema e frustrei-me com os constantes adiamentos até que, em junho, saiu a notícia de que sairia direto para DVD no Brasil. A expectativa só ia aumentando, até que o filme aparentemente saiu em DVD nos EUA (agora que eu percebi, eu ainda falo DVD, Bluray não entrou no meu vocabulário, ainda) e foi possível fazer o download de uma boa cópia ilegal, assistida sem peso na consciência, pois eu teria pago até a entrada inteira SE TIVESSEM LANÇADO A PORRA DO FILME NOS CINEMAS.

Enfim, tais expectativas acabaram atrapalhando minha experiência com o filme, que acabou me decepcionando um pouco. A temática toda de “super-agente-secreta-adolescente” pode ser irreal o bastante, mas eu esperava um pouco mais de seriedade do filme.

“Hanna” começa em alguma floresta coberta por neve, onde acompanhamos a fase final do treinamento da protagonista, que durou sua vida inteira até aquele ponto. Sem nenhum motivo aparente, seu pai coloca à sua disposição um aparelho com um botão que, quando apertado, avisará a Marissa, uma agente da CIA, da sua localização. Quando o botão é apertado, o pai de Hanna foge e deixa Hanna para permitir ser capturada, e combinam de se encontrar em Berlim. Hanna é, então, levada a um QG da CIA em Marrocos, de onde escapa e passa o resto do filme roadtrippin’ to Berlin.

O argumento central do filme tem um pequeno problema: dadas as circunstâncias apontadas no filme, por que pai e filha simplesmente não FORAM JUNTOS para Berlim, sem avisar ninguém? Era só pra se vingar da Marissa? Tenho certeza que eles poderiam pensar em um plano melhor. E o que foi aquela tentativa ridícula de alívio cômico quando Hanna, ao ver um rapaz se aproximando lentamente para beijá-la, instintivamente aplica um golpe de uma arte marcial qualquer nele? Esta cena ficou completamente destoante de todo o resto do filme.

De positivo, gostei da montagem, de grande parte das cenas de ação e, principalmente, das cenas de abertura e conclusão do filme, com uma rima meio pobre, mas que só percebi depois de Hanna ter repetido as palavras da cena inicial, terminando abruptamente o longa.

%d blogueiros gostam disto: