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Grindhouse

grindhouseJá tinha visto À Prova de Morte e boa parte de Planeta Terror em ocasiões distintas, em suas edições mais longas, para lançamento individual, mas tinha certa curiosidade em acompanhar esta obra conjunta de Tarantino com seu fiel escudeiro Robert Rodriguez da forma como foi concebida, ou seja, em sessão dupla para cinema, em versões um pouco mais curtas e com os trailers fictícios entre os dois filmes.

Não seria justo dizer que o filme é ruim se sua intenção é parodiar os filmes ruins dos anos 70. Aliás, se sua intenção é emular a precariedade das produções da época, com resultados desastrosos, então podemos considerar que o filme é um sucesso em seu fracasso. Ainda assim, me sinto confuso ao assistir a esses filmes pois a sensação que tenho não é a de ter visto FILMES, e sim alguma paródia no YouTube. Ao final da experiência, a impressão que dá é que passamos mais de três horas assistindo uma gigantesca piada interna dos realizadores, onde procuramos pescar as referências e rir daquilo tudo sem entender os pormenores das piadas, mas rindo, mesmo que um sorriso amarelo, só pra não parecer muito deslocado das crianças populares da turma.

Planeta Terror, de Rodriguez, trata de uma epidemia zumbi em uma pequena cidade interiorana, e os esforços de pessoas comuns para sobreviver em meio àquele caos, culminando com uma super bad-ass Rose McGowan perneta com uma metralhadora no lugar do membro amputado. O filme é mais coeso que o de Tarantino, funciona melhor como obra individual e acredito que tenha sido mais bem aceito pelo público.

À Prova de Morte, de Tarantino, mostra a psicopatia de um dublê de filmes de ação em sua caçada por garotas com potencial para a morte em “acidentes” de trânsito. Na primeira tentativa, sucesso total, diversas garotas mortas (com cenas bem explícitas, inclusive) e o dublê escapando praticamente incólume. Já no segundo, com outro grupo de garotas, a conclusão é bem menos vantajosa para o personagem de Kurt Russell.

Os trailers são uma atração à parte, muito divertidos, com uma menção especial para o de Thanksgiving, de Eli Roth (outro protégé de Tarantino)

(IMDb)

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Meu Vizinho Mafioso

meu-vizinho-mafiosoComediazinha light estrelada por um carismático Bruce Willis no papel de Jimmy Tudeski, um assassino de aluguel que, após cinco anos preso, se muda para o Canadá, justamente para a casa ao lado da residência do dentista Oz, interpretado pelo ex-Friends Matthew Perry, que se revela aqui um péssimo ator. O personagem dele em Friends é o meu favorito da série (empatado com o Ross de David Schwimmer), e Oz é um personagem relativamente semelhante a Chandler, mas de alguma forma ele está péssimo no papel.

Vivendo com a esposa e a sogra, Oz revela à sua assistente que ele vale mais vivo do que morto, devido ao seguro de vida que possui, e isso acaba fazendo com que sua esposa, que o odeia, o coloque numa situação de risco para ser assassinado pelo novo vizinho, mandando o marido a Chicago para revelar à máfia local o paradeiro do exilado assassino.

Com um tom leve, em que mesmo os bandidos mais perigosos têm um comportamento bem “família”, conquistando a simpatia do público, a comédia arranca algumas risadas, mas também causa certo constrangimento quando se aproxima do final, com declarações de amor que parecem ter sido escritas por uma menina de oito anos, além da evidente ameaça de morte de alguns personagens, que em momento algum consegue ser minimamente ameaçadora.

Eu achava que tinha visto este filme na Globo, mas acho que me enganei, pois há uma cena-chave em que uma das personagens principais aparece seminua durante um bom tempo, sem possibilidade de cortar as cenas sem prejudicar o andamento do filme. Provavelmente o filme que vi foi a sequência deste, que não tenho mais vontade nenhuma de assistir.

(IMDb)

Looper: Assassinos do Futuro

Saí do cinema um pouco dividido com relação a Looper: Assassinos do Futuro. De maneira geral, gostei do filme, mas ainda não sei bem o motivo para ele não ter me deixado tão empolgado, já que trata de viagens no tempo, talvez o tema que mais desperte meu interesse em filmes.

O filme se passa em 2044, num futuro que se assemelha muito com os dias atuais. Talvez pelo orçamento reduzido (US$ 30 milhões) não tenha sido possível criar cenários mais fantásticos e simular uma tecnologia mais avançada, então o máximo que vemos é uma motoca flutuante que parece não ser muito confiável. O resto dos veículos são carros muito semelhantes aos atuais. O título se refere aos Loopers, assassinos contratados pela máfia para matar pessoas indesejadas no futuro (2074), já que lá é impossível esconder um cadáver sem que este seja descoberto pela polícia. Logo na introdução do filme esse modus operandi já é explicado. Com a invenção da máquina do tempo e a imediata proibição de seu uso, somente organizações criminosas a utilizavam, e com este propósito. O Looper espera em um determinado local no presente até que, no horário estabelecido, o quase-defunto do futuro aparece amarrado e com um saco na cabeça, sendo imediatamente morto pelo assassino que o aguardava.

O nome Looper se deve ao fato de que o assassino, ao completar 30 anos de serviço, é capturado pela máfia e enviado ao passado para ser morto por ele mesmo, no início da “carreira”. Desta forma, encerra-se o “loop”. O problema ocorre quando Joe (Joseph Gordon-Levitt), se distrai ao ver sua versão 30 anos mais velha (Bruce Willis) à sua frente e é golpeado, deixando que o Joe do futuro fuja. O que ocorre é que o Joe velho tem um plano: matar o chefão da máfia em 2074 em sua infância, em 2044.

Qualquer semelhança com O Exterminador do Futuro não deve ser mera coincidência, pois até a mãe do garoto se chama Sara (Emily Blunt), a exemplo da Sarah Connor.

Uma coisa realmente admirável no filme é o trabalho para tornar o rosto de Gordon-Levitt mais parecido com o de Willis. Logo no início cheguei a estranhar a boca do jovem ator, que teve a região do “bigode” alongada e o lábio superior quase desapareceu. Mais tarde percebi que clarearam os olhos e até “entortaram” o nariz do ator, além de uma aparente engrossada no pescoço. Posso estar enganado, pois sou meio desligado, mas acho que essas mudanças no rosto do jovem Joe não são perceptíveis desde o início do filme, para não causar estranheza o rosto deformado de um ator que já é bem conhecido do público, mas elas vão ocorrendo gradualmente até o ponto do filme em que os dois atores aparecem simultaneamente e as semelhanças precisam ser evidenciadas. Se isso ocorreu mesmo, palmas para a equipe.

Outro mérito do filme é a exploração do conceito de “memória” na viagem no tempo, já que tudo o que o jovem Joe sabe, o velho também sabe, embora a recíproca não seja verdadeira, e tudo o que o jovem Joe vivencia no presente, o Joe do futuro passa a saber na mesma hora, pois aquilo passa a fazer parte de sua memória, bem como feridas sofridas pelo jovem Joe automaticamente geram cicatrizes em sua versão mais velha.

Apesar de todos os acertos conceituais e de execução, o que me deixou um pouco insatisfeito foi a questão da mutação em algumas pessoas que desenvolveram um poder de telecinese, um conceito que parece meio “solto” mas que vai ganhando importância ao longo do filme.

Ainda assim, trata-se de um bom filme e que vale a pena assistir, e todos os méritos são de Rian Johnson, que além de diretor é também o roteirista, tornando-se uma nova promessa no meio da ficção científica.

(IMDb)

Substitutos

Meio por acaso, lembrei que havia assistido este filme há alguns meses e não constava nas minhas anotações. Deixo aqui registrado, portanto, que não é nada de mais. É só um filme que passará no Super Cine daqui a uns anos.

A trama gira em torno de uma sociedade no futuro onde as pessoas comandam um boneco substituto, que vive a sua vida real, interagindo com os outros, enquanto você fica sentadão na poltrona controlando-o, numa espécie de Second Life, aquela rede social que prometia ser revolucionária mas atingiu níveis estratosféricos de vergonha alheia. As pessoas gostam desse estilo de vida pois a criminalidade e outros problemas do mundo real simplesmente desapareceram, além, é claro, da possibilidade de você poder ter a aparência que desejar. Segregados dessa sociedade perfeita estão alguns humanos que se recusam a seguir este estilo de vida, e vivem num favelão.

A merda toda começa quando tem início uma série de assassinatos dos substitutos,que causava a morte do humano que o controlava, quando a morte dos “bonecos” não deveria causar dano algum ao seu dono. Surge, então, a figura fodônica de Bruce Willis, que investigará tudo deixando de lado o seu boneco, um dos únicos que é idêntico ao seu “eu” verdadeiro.

Talvez seja interessante assistir, mas garanto que não é um filme marcante e nem mind-blowing.

(IMDb)

Os 12 Macacos

Não lembro quando havia sido a última vez que assisti Os 12 Macacos, do Terry Gilliam, mas desde a primeira vez que o assisti até hoje, mantenho a impressão de que é o melhor filme do diretor, desde que o Monty Python acabou. Dos que assisti, é seu filme mais sério, com os pés no chão, por mais que a recorrente temática da insanidade esteja presente.

O filme é sobre um viajante do tempo (Cole, vivido por Bruce Willis) que volta aos tempos atuais (anos 90, no caso) para obter informações sobre um vírus que quase extinguiu a raça humana, que, 30 anos no futuro, vive em uma sociedade totalitária sob a superfície. Ao aparecer no passado falando que é um viajante do tempo, é encaminhado a um hospício, onde conhece a Dra. Railly (Stowe) e Jeffrey Goines, um maluco vivido por Brad Pitt, mas só depois se dá conta que foi mandado à época errada. Após mais algumas tentativas e erros, chega ao local e data corretos, e o que era para ser somente uma coleta de dados, acaba se tornando uma tentativa de evitar que o terrorista que espalhou o vírus dê sequencia ao seu plano.

O filme inteiro é repleto de tomadas com a câmera na diagonal, reforçando a sensação de desequilíbrio e desorientação temporal do protagonista, e esta desorientação é bem exposta e funciona bem com um personagem que faz várias viagens no tempo em poucos dias, através dos séculos, o que é sutilmente abordado durante uma palestra da Dra. Railly (no filme, ela fala apenas sobre dois casos, mas a cena dá a entender que ela vinha falando sobre outros casos em momentos anteriores e posteriores ao mostrado).

Outro ponto que funcionou bem no filme foi o gradual ganho de confiança da Dra. naquilo que Cole vinha alegando, dando, sem querer, pequenas provas de que o que estava falando era verdade, num momento em que nem ele mesmo tinha plena certeza sobre tudo o que falava.

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