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Dias de Violência

dias-de-violenciaMais um post rápido, este é um daqueles filmes para TV baseado em fatos reais feitos com um propósito claramente formador de opinião. No caso, sobre uma polêmica da época nos EUA, sobre a pena de morte para criminosos menores de 18 anos.

A criminosa em questão é Amanda Sue (Juliette Lewis), uma adolescente que, abusada pelo padrasto e ignorada pela mãe, casa-se aos 14 anos e, após o previsível fracasso do matrimônio, acaba indo para outra cidade onde logo é aliciada por um criminoso (Brad Pitt) que a força a usar drogas e fazer strip tease num inferninho para ganhar a vida. Ao conseguir uma breve fuga da vida que levava ao ir morar com um militar compassivo, as coisas parecem melhorar, até que o militar em questão se vê obrigado a romper relações com a garota ao sofrer ameaça se ser denunciado na corte marcial por manter relações com uma menor de idade. Ele vem a ser a vítima do assassinato que coloca Amanda Sue no banco dos réus.

O filme é datado, tipicamente “TV movie”, mas a discussão é válida, ainda mais em tempos em que a pena capital e a redução da maioridade penal voltam à pauta no Brasil (e, não que alguém tenha perguntado, mas adianto que sou contra ambas).

(IMDb)

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Guerra Mundial Z

guerra-mundial-zFui ao cinema numa terça-feira às duas da tarde, em minhas férias (sim, só especifiquei pra deixar algum eventual leitor com inveja), para assistir o novo filme do Brad Pitt, e posso dizer que fiquei surpreso com o que vi. Talvez por não ter muitas expectativas, gostei muito do filme, apesar de ter achado desnecessário o uso do 3D. Preferia ter assistido em duas dimensões, mas para isso teria que coçar as gônadas por mais duas horas no shopping.

Em Guerra Mundial Z, Pitt é um funcionário da ONU que, em meio ao caos instaurado no mundo em decorrência da epidemia que zumbificou a população numa velocidade assustadora, é enviado para buscar uma solução para o problema.

O filme evitou alguns clichês que o colocariam no lugar comum, e com isso conseguiu um bom destaque em um gênero que caminha para a saturação. Cuidado com os spoilers. A preocupação com a família em perigo, por exemplo, só existe no início do filme, pois eles logo encontram um local seguro em alto mar para ficar. Neste filme, também, os zumbis da cultura pop existem, então ninguém fica assim TÃO surpreso com a forma como os zumbis “reais” se comportam, pois já conheciam de filmes, séries, livros etc. Inclusive chegam a se referir a eles como zumbis.

Outra característica importante que o afasta dos clichês é a natureza dos zumbis. Eles não existem com a finalidade de se perpetuar através da alimentação, e sim através da infecção. Então, ao contrário do que estamos acostumados, se um zumbi morde alguém, ele não começa a comer seu cérebro (e o resto do corpo), mas imediatamente parte para a próxima vítima. Isso elimina um artifício bastante usado em filmes do gênero, que é a isca: sacrificar alguém para que a turba se distraia enquanto come, para que o resto do grupo consiga fugir em segurança.

Se fosse apontar um defeito, citaria a música “The 2nd Law: Isolated System”, do Muse, tocada à exaustão em pontos diversos da película. Deu um ar preguiçoso à trilha sonora, mesmo que discretamente. Talvez por eu já conhecer a música isso tenha se acentuado (e admito, sempre pulo esta música no CD).

(IMDb)

Clube da Luta

Existem duas formas de assistir Clube da Luta: a primeira e as demais. Na primeira vez que você assiste a este filme, você reage com surpresa e curiosidade a cada cena, tentando entender melhor tudo o que está se passando até que, no terceiro ato, ocorre um combo de revelações bombásticas que levam ao clímax do filme. A partir da segunda vez que você assiste, o clímax está em cada pequeno momento de interação entre o “Narrador” (Edward Norton, referido desta maneira nos créditos por motivos óbvios, para quem já viu o filme) e Tyler Durden (Brad Pitt), onde o objetivo deixa de ser a compreensão do filme, como um todo, para focar na investigação do personagem, e na sequência de ocorrências que o levam ao seu estado no final do filme.

Trata-se de um clássico de seu tempo, um filme que não parece datado, mesmo 12 anos depois de seu lançamento. Assisti-o pela enésima vez neste ultimo domingo, e a cada escroteada que o “Narrador” dava na Marla (Helena Bonham Carter) eu prestava atençao na sua reaçao, sempre incredula, achando-o ou um louco, ou um belo filho da puta.

Infelizmente, a primeira vez você só pode assistir uma vez. Depois disso, precisamos nos contentar em ter a mesma experiência para sempre.

A Árvore da Vida

Após ler algumas críticas e comentários sobre A Árvore da Vida, senti que estava diante de uma obra que, por mais que tenha dividido opiniões de público e crítica, despontava como candidato a um clássico dessa geração, principalmente em termos estéticos. Não foram raros os que compararam o filme a 2001: Uma Odisséia no Espaço, e há sua dose de razão na comparação.

O filme conta com uma trama incomum, dividida em três núcleos (a origem do Universo e da vida na Terra, a família O’Brien nos anos 50 e o adulto Jack O’Brien nos dias atuais) e focando basicamente na relação entre Jack e seus pais e irmãos: a mãe, afetuosa, e o pai, rígido e com raras demonstrações de carinho pelos filhos; o irmão do meio, que viria a falecer aos 19 anos (fato mostrado já no início do filme) e o caçula, que não é desenvolvido muito a fundo.

Achei a obra inteira de um bom gosto incomparável, as atuações perfeitas, ótimos diálogos, a construção do personagem de Jack, de sua infância reprimida, passando pela adolescência rebelde e pulando para a vida adulta, onde ainda parece buscar um relacionamento plenamente harmonioso com o pai. Sobre as cenas da origem do universo e da vida, são de tirar o fôlego, e aos que demandam uma comparação com o filme de Kubrick, achei as cenas tão boas quanto aquelas, com a diferença que, em A Árvore da Vida, as imagens são mais claras e não têm tanto apelo à interpretação pessoal, ao contrário das imagens de 2001, muito mais abertas a interpretações diversas.

O filme encerra com um reencontro do Jack adulto com os personagens de sua infância, inclusive o irmão do meio, cuja morte evocava as lembranças de Jack até a vida adulta. Talvez esta cena final tenha sido a que gerou maior repercussão negativa, e admito que foi a que menos gostei, mas não o suficiente para tirar qualquer impressão positiva que tive da obra.

Os 12 Macacos

Não lembro quando havia sido a última vez que assisti Os 12 Macacos, do Terry Gilliam, mas desde a primeira vez que o assisti até hoje, mantenho a impressão de que é o melhor filme do diretor, desde que o Monty Python acabou. Dos que assisti, é seu filme mais sério, com os pés no chão, por mais que a recorrente temática da insanidade esteja presente.

O filme é sobre um viajante do tempo (Cole, vivido por Bruce Willis) que volta aos tempos atuais (anos 90, no caso) para obter informações sobre um vírus que quase extinguiu a raça humana, que, 30 anos no futuro, vive em uma sociedade totalitária sob a superfície. Ao aparecer no passado falando que é um viajante do tempo, é encaminhado a um hospício, onde conhece a Dra. Railly (Stowe) e Jeffrey Goines, um maluco vivido por Brad Pitt, mas só depois se dá conta que foi mandado à época errada. Após mais algumas tentativas e erros, chega ao local e data corretos, e o que era para ser somente uma coleta de dados, acaba se tornando uma tentativa de evitar que o terrorista que espalhou o vírus dê sequencia ao seu plano.

O filme inteiro é repleto de tomadas com a câmera na diagonal, reforçando a sensação de desequilíbrio e desorientação temporal do protagonista, e esta desorientação é bem exposta e funciona bem com um personagem que faz várias viagens no tempo em poucos dias, através dos séculos, o que é sutilmente abordado durante uma palestra da Dra. Railly (no filme, ela fala apenas sobre dois casos, mas a cena dá a entender que ela vinha falando sobre outros casos em momentos anteriores e posteriores ao mostrado).

Outro ponto que funcionou bem no filme foi o gradual ganho de confiança da Dra. naquilo que Cole vinha alegando, dando, sem querer, pequenas provas de que o que estava falando era verdade, num momento em que nem ele mesmo tinha plena certeza sobre tudo o que falava.

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