Arquivo da tag: Andy Serkis

As Aventuras de Tintim

Tenho boas lembranças de infância quando assistia Tintim no Cartoon Network, geralmente nas tardes de domingo. Outra lembrança que Tintim me traz era do meu amigo Japa falando que, em japonês, tintin é uma gíria para pênis. Mas aí eu acho que as conversas eram sobre o “tim-tim” que se fala quando faz um brinde, e não sobre o personagem. Que seja.

Posso me considerar uma criança feliz por ter assistido vários episódios de Tintim na TV, e um adolescente feliz por ter lido algumas das HQs. E agora, por ter assistido o filme do Tintim no cinema. Não que se trate de um filme espetacular, mas é sempre bom se deixar levar pela nostalgia que esse tipo de personagem proporciona. É uma pena que uma obra semelhante, Astérix, não tenha tido sua conversão para o cinema levada mais a sério.

Sobre o filme, ele é exatamente o que os críticos têm falado: ação do primeiro ao último minuto. Não há tempo a perder mostrando os personagens indo dormir, ou comendo alguma coisa. Eles estão ocupados demais cumprindo seu papel. Isso foi tratado como um ponto negativo do filme, mas quem via o desenho e lia as HQs sabe que elas eram exatamente assim.

As Aventuras de Tintim é um primor na parte técnica. Tudo funciona de forma perfeita, a animação, música, movimentos de “câmera”, iluminação… é impossível apontar um ponto fraco. Até mesmo o 3D, que eu odeio, ficou muito orgânico, e complementou discretamente a obra. O design dos personagens também ficou ótimo. Manteve as características principais dos desenhos de Hergé, mas os tornou muito mais realistas, mesmo com seus narizes gigantes, queixos protuberantes e corpos pouco anatômicos, mas o que me chamou a atenção foram os olhos. Muitas vezes a câmera captava os rostos de frente e de perto, e apesar de todas as características cartunísticas dos personagens, os olhos eram extremamente reais.

A história eu desconhecia, parece que juntaram as histórias de dois ou três volumes da HQ e o resultado é facilmente comparável a Indiana Jones. Infelizmente, as “charadas” são fáceis de deduzir e não surtem o efeito desejado, o de surpreender, pois acho que o público atual já está mais acostumado com histórias “misteriosas” do que estavam há várias décadas, quando Hergé escreveu as HQs. Neste filme, ao comprar uma réplica de uma caravela, Tintim se envolve numa caça ao tesouro ao ser golpeado e levado a um navio cargueiro antes comandado pelo Capitão Haddock, mas tomado pelo vilão do filme.

Saí do cinema satisfeito. O filme atendeu às minhas expectativas em todos os sentidos. Mas se você não tem muita familiaridade com o personagem, talvém se decepcione.

A única coisa que me decepcionou foi não ouvir a musiquinha de encerramento do desenho animado.

(IMDb)

Anúncios

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Concluindo a trilogia de maior sucesso do cinema desde Star Wars, temos mais quatro horas de caminhada, batalhas, piadas ruins e homoafetividade hobbit. É o mais legal dos três filmes pois as cenas de ação e batalhas (as únicas realmente legais de toda a trilogia) estão em maior quantidade aqui. Mas isso não impede que sejamos obrigados a aguentar longas sequências do Gollum envenenando Frodo contra Sam, o amor platónico de Éowyn por Aragorn, e deste pela supostamente moribunda Arwen, e de mais cenas com as “desgraças em série” que citei no post anterior.

Mas a coisa que mais me chamou a atenção neste filme foi a infinidade de exemplos de deus ex machina, que você pode descobrir o que é, caso ainda não saiba, no Google. Alguns exemplos que lembro agora de cabeça (tem spoilers, who gives a fuck?):

1. Já sem exército nenhum para lutar contra os orcs, Aragorn subitamente lembra que existe uma civilização de espíritos amaldiçoados que esperam ser libertados para ter paz na morte. Eles fazem um acordo e ajudam os humanos na batalha, obtendo sua redenção ao final da luta.

2. Na última batalha, nos portões de Mordor, cercados por orcs, a guerra parece chegar em um final nada glorioso para os humanos. Eles vão lutando bravamente, aguentando o tranco, mas os Nazgul aparecem para piorar a situação. Seria este o fim da raça humana? Não, pois águias gigantes aparecem para duelar contra os Nazgul.

3. Depois de quase ter sido devorado por uma aranha gigante (babaquice do caralho essa aranha, hein?), Frodo foi capturado por orcs, que tomaram todos os seus pertences. TODOS. O anel? Sam havia pego sem que as câmeras mostrassem.

4. Nesta mesma parte do filme, quando centenas de orcs estavam no local em que Frodo havia sido levado, Sam tinha que salvar seu amigo. Mas como? Oras, inventaram uma briguinha entre os orcs que exterminou quase todos eles, restando apenas dois ou três para Sam matar.

Entre outros que não lembro agora.

Não quero tirar os méritos de Tolkien, porque deve ter sido foda inventar um monte de línguas, descrever diversos lugares e criaturas e essa coisa toda. Mas apesar de toda a grandiosidade da adaptação cinematográfica, a impressão que tive é de que a história não é nada além de bobinha.

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

Segunda parte da franquia que transformou muito marmanjo em ‘fã de Tolkien desde criancinha’ da noite para o dia, As Duas Torres recomeça de onde o seu antecessor havia parado, já com a tal sociedade do anel separada, Gandalf supostamente morto, o mal conquistando o mundo e essas besteiras todas. É já logo no começo do filme que Gollum dá as caras com a sua presença repugnante, que gera imitações toscas até hoje.

É nesse filme que as expressões faciais super convincentes do Frodo começam a ser mais frequentes (expressões que mais parecem Jizz in my Pants – procure no youtube), o olhar apaixonado de Sam já ultrapassa a tênue linha entre o bi-curious e o gay assumido e, em sua jornada, acontecem desastres em série (i.e.: o personagem foge de uma bola de fogo, cai num arbusto macio e se sente aliviado, então aparecem abelhas assassinas e ele corre até um lago, onde novamente se sente aliviado, mas só até aparecer um monstro gigante do lago e ir à sua caça etc etc etc).

Tirando as cenas de batalha, que achei bem feitas, todo o resto é uma grande palhaçada, com as piadinhas mais bobas para dar aquela acordada na galera do fundão, aquela “sinergia” forçada entre alguns personagens e, o pior de tudo: árvores que caminham. Puta negócio babaca, hein.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Se O Senhor dos Anéis fosse um pódio em uma competição de tédio, a medalha de ouro iria para A Sociedade do Anel. Sem querer desmerecer os aspectos técnicos do filme (que já não parecem grande coisa depois de 10 anos), esta primeira parte da trilogia é sonolenta e chata, e tentei assistí-la algumas vezes nesses últimos anos, dormindo antes do fim das comemorações de 111 anos do Bilbo Bolseiro.

O filme trata da primeira parte da saga de Frodo para destruir o anel (“Um Anel” é o caralho), passando por um boteco onde conhece Aragorn e indo até a floresta dos elfos, onde é estabelecida a tal sociedade que dá título ao filme, com vários casaizinhos de bromance (Pippin/Merry, Legolas/Gimli e, surpresa, Frodo/Sam). Os nove da sociedade partem para uma jornada que viria a durar cerca de 11 horas, na versão extendida que assisti com a Sarah. Onze inacabáveis horas.

Entre algumas coisas babacas, destaco a senha para entrar na caverna dos anões. Que charada ridícula, hein?

Espero só assistir de novo essa trilogia quando ela for tão velha quanto Ben-Hur é hoje em dia.

Planeta dos Macacos: A Origem

Assisti ontem, com a Sarah, no novo cinema do Beiramar Shopping, a este novo filme da série Planeta dos Macacos, iniciada no final dos anos 60 e sobrevivente de algumas atrocidades cinematográficas cometidas em seu nome. Para minha surpresa, o filme acabou se saindo melhor do que eu esperava (das vantagens de manter sempre o nível de expectativa mais baixo possível) apesar de alguns defeitos óbvios como a artificialidade do casal protagonista e o jeitão caricato dos vilões (o executivo da empresa farmacêutica, o vigia do abrigo de macacos, o vizinho etc), mas nada que já não estejamos acostumados.

O filme trata da história de Caesar, um chimpanzé que nasceu de uma mãe usada em experimentos de um vírus capaz de curar o mal de alzheimer. Para evitar o sacrifício do animal, Will (James Franco) leva o animal para ser criado em sua casa, e com o passar do tempo percebe uma inteligência fora do normal no animal e conclui que as características dos testes relizados na mãe eram hereditários (it’s a movie). Após um episódio de violência do animal, este é recolhido para um abrigo de primatas onde escreve Mein Kampf e esboça a revolução símia.

O filme já deixa dois ganchos para filmes futuros de uma provável nova franquia de sucesso: a óbvia continuação da história da conquista do mundo pelos símios, e a posterior aterrissagem de uma nave tripulada que, destinada a pousar em Marte, parece ter desaparecido no espaço.

Muito superior que o remake de 2001 protagonizado por Marky Mark Wahlberg, este novo Planeta dos Macacos pelo menos dá a sensação de que pode dar certo como franquia.

%d blogueiros gostam disto: