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Porto dos Mortos

porto-dos-mortosPor mais que muitos (inclusive eu) reclamem da baixa qualidade do acervo do Netflix, na média, é inegável a importância deste serviço na distribuição de filmes independentes, que dificilmente ganhariam um lançamento no cinema fora de festivais especializados, ou até mesmo uma versão em home-video. Filmes brasileiros, inclusive, estão cada vez mais presentes, até mesmo no acervo do Netflix americano.

Porto dos Mortos é um exemplo disso. Filme independente de 2010, se passa em um ambiente pós-apocalíptico, numa mistura de filme de zumbi com faroeste. Uma característica que me encanta muito nesse tipo de filme é a capacidade de fazer parecer que o lugar está, de fato, abandonado, e durante praticamente todo o filme temos esta certeza. As locações foram muito bem definidas, e os ângulos e movimentos de câmera contribuíram bastante para isso.

A história é relativamente simples, com o policial que protagoniza o filme sendo uma mistura de defensor dos fracos e justiceiro contra gangues que cometem suas atrocidades contra os poucos que permanecem vivos naquela parte do mundo. Aliás, os zumbis do filme desempenham um papel parecido com o que vimos na terceira temporada de The Walking Dead: eles estão lá, sabemos do perigo que representam, mas o vilão de verdade é uma pessoa tão viva quanto os “mocinhos”.

Confesso que achei o filme muito parado, o ritmo me deu sono em algumas partes, mas isso não chega a prejudicar o conjunto da obra até por se tratar de um filme curto, de aproximadamente 1:30h.

Menção especial aos créditos na abertura: ficaram ótimos.

(IMDb)

2010 – O Ano Em Que Faremos Contato

2010Assisti no fim de semana com a Sarah esta continuação de 2001, certamente sem esperar um material com a mesma qualidade do filme do Stanley Kubrick lançado 16 anos antes. Há anos tinha vontade de assisti-lo, e minha intenção era fazê-lo numa sessão dupla, mas até gostei de não ter posto em prática minha ideia pois evidenciaria ainda mais o abismo que separa o primeiro do segundo filme. Aviso desde já que filme com mais de 10 anos não tem spoiler, detalhes da trama serão abordados e as reclamações devem ser endereçadas ao meu dedo do meio.

2010 começa com um encontro entre um cientista soviético e um americano, com ambos demonstrando interesse em ir até a órbita de Júpiter para investigar os fatos ocorridos com a nave Discovery, sua tripulação e o computador de bordo HAL-9000 (chamar o HAL de computador de bordo nos dias de hoje chega a ser um insulto à máquina com vida própria concebida por Arthur C. Clarke). Acabam indo numa nave soviética, numa até então inédita parceria das rivais URSS e EUA (e o filme deve ser encarado como um produto de seu tempo, já que não vivemos mais num mundo bipolarizado e muitos dos detalhes do filme simplesmente não se encaixariam no atual cenário diplomático mundial), com astronautas e cosmonautas dividindo aquele espaço até chegarem ao seu destino.

Particularmente, certos detalhes do filme de 1968 mereciam permanecer inexplicados, como o motivo da falha de HAL, que acabou ganhando uma explicação técnica e foi uma das minhas maiores brochadas cinematográficas (primeiro achamos que HAL é um computador tão foda que passou a ter vontade própria, e depois ele passa a ser algo tão medíocre que, ao receber duas ordens conflitantes, dá pane).

Tirando situações como essa e focando na história, o filme tem seus méritos. Muito otimista, 2010 já conta com um trabalho cooperativo entre as duas potências da Guerra Fria. O próprio surgimento de outro planeta habitado no Sistema Solar (na verdade seria um Sistema Jupteriano), apesar da mensagem ameaçadora que o acompanhou (ALL THESE WORLDS ARE YOURS EXCEPT EUROPA ATTEMPT NO LANDING THERE) é encarado como algo positivo.

Apesar da falta de complexidade técnica e narrativa, o 2010 é um bom filme, mas depende de seu antecessor para justificar sua existência. 2001, por outro lado, é uma obra-prima que continuarei tratando como um filme completo, com início, meio e fim, independente do que tenha vindo antes ou depois.

(OBS: O surgimento de uma nova estrela tão próxima da Terra deve ter acabado com a noção de “dia” e “noite” como conhecíamos até então)

(IMDb)

Beyond the Black Rainbow

beyond-the-black-rainbowNão sei se este Sci-Fi de 2010 chegou a ser lançado no Brasil, mas segundo o IMDb ele não tem título traduzido para o português. Trata-se de um filme sobre uma garota presa em um instituto psiquiátrico, onde recebe os cuidados de um homem de poucas palavras, que parece uma mistura de um Carl Sagan do Mal com um Christian Bale depois de um cachimbo de crack. Constantemente sedada e impossibilitada de se comunicar e se mover com alguma destreza, Elena luta para escapar do instituto em que está presa desde que nasceu, enquanto o Dr. Barry Nyle se perde em sua própria loucura.

O filme é parado e arrastado além do normal, então não recomendo assistir se estiver com sono. Os planos são longos, as falas são quase sussurradas pelos atores, a música de fundo limita-se, quase sempre, a algum acorde no sintetizador, as cores são perturbadoras, investindo muito em tons vermelhos… Enfim, a impressão que tive é que Beyond the Black Rainbow seria o resultado de um hipotético filme realizado numa improvável parceria entre os membros do Pink Floyd e do Kraftwerk.

Achei muito interessante a ideia do diretor de fazer o filme se passar no  início dos anos 80. Toda a estética do filme remete àquela época, tornando o resultado muito convincente. Se não soubesse que o filme é de poucos anos atrás, eu acreditaria que o filme pudesse ter sido feito há 30 anos.

Infelizmente o filme se perde em seus momentos finais, onde o clímax acaba decepcionando um pouco. Mas não o suficiente para desmerecer as conquistas do resto da película.

(IMDb)

Enterrado Vivo

Vi este filme com a Sarah no ano passado. Tínhamos ficado curiosos para conferir o resultado de um projeto ousado, que se propunha a relatar a agonia de um homem que, como o título diz, foi enterrado vivo.

O filme é SOMENTE isso: os momentos agoniantes daquele homem dentro do caixão. Não existe narração, não tem flashback, nada. Só o homem e os objetos que foram deixados com ele lá dentro. A medida que ele vai acordando e se dando conta da situação, o espectador também começa a entender, aos poucos, o que aconteceu.

Ao achar um telefone celular todo configurado em árabe ele liga para a sede de sua empresa e explica a situação. É onde descobrimos que Paul (Ryan Reynolds) é, na verdade, um trabalhador de uma transportadora em serviço no Iraque, e sofreu um ataque aparentemente comum na região ocupada pelos EUA: foi sequestrado e enterrado vivo com o celular para se comunicar com os sequestradores ao mesmo tempo em que é possível ligar para os EUA e pedir o pagamento do resgate para ser libertado.

Enterrado Vivo é tenso do início ao fim, sem desviar o foco, e o desfecho do filme foi muito bem pensado. Vale a pena conferir esta obra.

(IMDb)

Que Pena Tu Vida

Sei lá se tem título em português esse filme chileno 2010, mas em inglês ele foi chamado de “Fuck my life”.

Que Pena Tu Vida conta a história de Javier e como a vida dele ruiu depois de terminar seu namoro com Sofia. É uma comédia romântica recheada de clichês, como toda comédia romântica, mas tem seus méritos.

Entre os clichês estão:

1. Novo namorado da ex-namorada é um babaca;
2. Tem uma melhor amiga apaixonada por ele, e vive pisando na bola com a garota;
3. Mãe moderninha que o faz passar vergonha na frente “das namorada”;
4. Fica um tempão sem sexo e quando surge alguma oportunidade, só aparece mulher maluca.

et cetera.

O filme não acrescenta nada, mas é engraçadinho, por isso não posso afirmar que seja ruim. Assista por sua conta e risco.

(IMDb)

Bravura Indômita

Depois de ter visto o filme errado, finalmente baixamos e assistimos Bravura Indômita, um filme que conseguiu a façanha de ser indicado a 10 Oscars sem levar nenhum pra casa.

Dirigido e produzido pelos irmãos Coen, esta adaptação do filme original de 1969 conta a história de uma menina de 14 anos que, após o assassinato de seu pai, contrata um homem para ajudá-la a capturar o assassino. Muito bem interpretado pelo já idoso (tinha 60 anos quando o filme foi lançado) Jeff Bridges, o mercenário e a garota são acompanhados, também, por um agente da lei do Texas, já que o mesmo bandido é também acusado de ter assassinado um senador daquele estado.

Assim como os clássicos do gênero, Bravura Indômita conta com uma fotografia de encher os olhos, com bonitas e solitárias paisagens. Por outro lado, ao contrário dos filmes que consagraram o Western, aposta em uma história mais ágil, deixando de lado aquele clássico momento de troca de olhares que precede o duelo em favor da rapidez das ações.

No final do filme, por exemplo, quando Cogburn enfrenta quatro bandidos sozinho (ou quase), o que há 40 anos provavelmente seria feito com uma bela música acompanhando os personagens estudando uns aos outros até o momento em que eles avançariam atirando, desta vez deixou a lenga-lenga de lado para ir direto aos finalmentes. E me desculpem por me referir a este momento mágico do western como “lenga-lenga”, alguns dos meus momentos favoritos do cinema são exatamente essa lenga-lenga. Mas é fato que, em Bravura Indômita, ela não fez falta alguma.

Apesar de todos os pontos positivos, uma coisa me chamou atenção negativamente: mesmo hoje em dia, com todo o acesso a informação e o acesso das mulheres à educação formal (o que era bem raro até o século XIX), já é difícil uma garotinha de 14 anos ter tanto conhecimento em negócios, direito e outras coisas. Em alguns momentos, ficou extremamente forçado o conhecimento da garota, como em dado momento que o xerife texano usa uma expressão em latim para designar os crimes cometidos pelo fugitivo e, sem que Cogburn entenda qualquer coisa, a garota explica a ele o que tais expressões significam. Acho que o filme teria mais a ganhar se impusesse certas limitações na personagem, pois assim ela seria mais “natural” aos olhos do espectador.

De qualquer forma, trata-se de um ótimo filme, de um gênero que tem sua “ressurreição” anunciada constantemente, ano após ano, mas que, infelizmente, vê apenas alguns poucos bons títulos surgirem de tempos em tempos.

(IMDb)

Inverno da Alma

Depois de ter visto o filme foi quando fiquei sabendo que o assistimos por engano: a Sarah queria ter visto, na verdade, Bravura Indômita (que acabamos vendo neste fim de semana e comentarei depois). A confusão é justificável: Ambos os filmes têm como personagem principal uma adolescente que precisa cuidar de sua mãe e irmãos devido a ausência do pai (por diferentes motivos), além de várias outras coincidências que não precisam ser especificadas.

Inverno da Alma, que apesar de ter conseguido quatro indicações ao Oscar (sem ter ganho nenhuma), foi muito mal nas bilheterias, fala desta garota que vai em busca de seu pai, um traficante solto em condicional, que precisa comparecer dentro de poucos dias ao tribunal, sob pena de perder as terras e casa da família que abandonou. A moça, então, vai em busca do pai, se colocando em situações de risco, enquanto passa fome com sua mãe e irmãos.

Apesar de ter boa fotografia, atuações e direção, o filme não fede nem cheira, e provavelmente cairá no limbo dos filmes irrelevantes mais cedo ou mais tarde.

(IMDb)

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