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A Supremacia Bourne

a-supremacia-bourneAcabei não podendo escrever no blog nos últimos dias, mas pra aproveitar minha empolgação em deixar o blog atualizado vou escrever rapidinho sobre a sequência do filme que escrevi anteriormente.

A Supremacia Bourne começa algum tempo depois do fim do primeiro filme, com Jason Bourne vivendo com sua namorada em Goa, na Índia, levando uma vida pacata longe das perseguições europeias que o infernizaram tanto. Depois de serem descobertos e de ter a mulher assassinada, Bourne retorna para a Europa para tentar dar um fim à porra toda.

Mantendo a mesma pegada de seu antecessor, com cenas de ação bem feitas e um clima de conspiração instigante, A Supremacia Bourne mostra o protagonista da trilogia finalmente se colocando à frente de seus perseguidores, tomando as rédeas da situação e, assim, conseguindo algumas informações que podem ajudá-lo a descobrir sua verdadeira identidade.

Infelizmente, na época em que vi estes filmes, não vi também o terceiro e último O Ultimato Bourne, e muito menos o caça-níqueis O Legado Bourne lançado recentemente, então, um dia, volto a comentar sobre esta série de sucesso.

(IMDb)

We3

Depois de três semanas de atraso na entrega de alguns livros e HQs que comprei na Amazon, finalmente pude ler esta HQ que já gerava grandes expectativas em mim há pelo menos um ano. Comprei uma edição de luxo em capa dura que estava em promoção sem saber que existia uma edição nacional, pela Panini, por menos de 20 reais. Mas minha ignorância me fez bem, pois seria um erro comprar uma versão traduzida de uma obra como esta, que, apesar de poupar nos diálogos, traz algumas questões que impossibilitam uma tradução precisa. Na verdade, qualquer tradução é imprecisa, mas em outros casos as peculiaridades podem ser contornadas com mais facilidade. Aqui, seria necessária uma desfiguração dos termos originais (incluindo o título da HQ). Se a pessoa é relativamente fluente no idioma original da obra, lê-la (ou assisti-la, ouvi-la etc) dessa forma é uma óbvia questão de bom senso.

We3 pode ser, de certa forma, comparado ao primeiro Rambo (First Blood), com características do clássico sessãodatardístico “A Incrível Jornada“. Trata da história de três animais domésticos (um cachorro, um gato e um coelho) aprisionados em um exoesqueleto metálico com poderosas armas, utilizados num experimento militar desenvolvido com a promessa de retirar dos campos de batalha milhares de soldados, salvando, assim, muitas vidas. Mas após uma missão de teste em que um ditador latinoamericano é assassinado, os três são descartados por serem considerados obsoletos, cabendo à cientista Roseanne a tarefa de aplicar a injeção letal nos animais. Em cerca de 8 páginas praticamente sem falas, acompanhamos as câmeras de vigilância do complexo em que se encontram testemunhando a libertação dos animais, a saída da cientista, oposta à chegada de alguns soldados, e a fuga dos três bichos, deixando um rastro de mortes por onde passam, poupando, apenas, a vida de Roseanne. O que se segue é a busca do cachorro por seu antigo lar, tentando persuadir os outros dois a acompanhá-lo.

Inteligente na forma como desenvolve a personalidade dos três personagens principais, We3 ainda dá aos bichos a capacidade de fala, uma fala rudimentar, apenas com poucas palavras básicas, capazes de expressar aquelas personalidades. Bandit, o cão, é fiel e não tem o mesmo ímpeto assassino de Tinker, a gata, que vê em qualquer contato com humanos uma ameaça. Bandit tenta, em certo momento, salvar a vida de um humano em um acidente, só para sabermos, alguns quadros depois, que seu esforço fora em vão. Já Pirate, o coelho, tem a personalidade de… um coelho. E eu sei lá o que isso pode significar, já que ele está claramente inserido na história em um plano inferior ao dos outros dois.

Econômica na quantidade de páginas e no desenvolvimento dos personagens, a HQ deixa esta tarefa quase toda nas mãos do ilustrador, poupando palavras e investindo em quadros super expressivos. É em poucas páginas que descobrimos que Roseanne é uma pessoa extremamente solitária e infeliz, um outro cientista, ao fazer experimentos com ratos, regozija-se ao ordenar, por controle remoto, que um roedor mata o outro, mas o que vemos é apenas um pequeno e contido sorriso, evidenciando uma certa psicopatia. E, de forma genial, dedicando apenas uma página para cada um dos três animais principais, é possível saber muitas coisas sobre eles apenas ao ver os cartazes que foram feitos por seus antigos donos ao darem conta de seu desaparecimento.

Inclusive, na HQ, nunca fica claro se o recrutamento dos três foi uma coincidência por terem achado os três animais perdidos, ou se o desaparecimento deles foi consequência de um “sequestro” visando o experimento ao qual seriam submetidos.

(Amazon)

Primer

Outro filme visto no ano passado e que, só agora, estou escrevendo a respeito. Primer parece um filme feito por engenheiros, dado o seu perfeccionismo nos detalhes técnicos e na preocupação com a verossimilhança da história, mas isso resulta em um ponto negativo bem óbvio: o resultado final é difícil demais de entender.

Tudo bem, não dá pra encarar unicamente como algo negativo essa preocupação do realizador do filme, Shane Carruth, em desenvolver uma trama complicada, mas acho que é possível para um filme tratar do tema de viagem no tempo de uma forma realista (certo, “realista”, entre aspas) sem parecer que foi feito para ser exibido no LXVII Encontro Anual de Físicos Quânticos.

Dito isto, esclareço que, para entender melhor o filme, recorri à internet em sua eterna sabedoria e pude tirar muitas dúvidas, mesmo ainda não tendo conhecimento pleno do que assisti. A história é sobre quatro amigos que, como segundo trabalho, têm uma empresa onde desenvolvem produtos visando lucrar com a venda da patente. Certo dia, um deles desenvolve acidentalmente uma máquina capaz de fazer viagens no tempo, e compartilha a informação com um dos amigos. Eles acabam desenvolvendo outra máquina maior, para uso dos próprios, visando lucrar na bolsa de valores do dia anterior ao movimentar ações de acordo com o comportamento dos pregões no dia atual.

Para fãs do tema é uma boa experiência, tanto que muito pouco, ou nada do que foi exibido foi contestado, ao contrário de todos os outros filmes sobre viagem no tempo, que sempre tropeçam nos paradoxos apresentados.

(IMDb)

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Durante algum tempo tive um certo preconceito com este filme, em primeiro lugar por não botar fé na carreira dramática de Jim Carrey (sou grande fã das comédias dos anos 90, mas nada me levava a crer que ele tivesse talento para papéis dramáticos) e em segundo pela incrível capacidade que este filme teve, em conjunto com Efeito Borboleta, de ser o “filme favorito” de muita gente irritante naquela época.

Não que haja qualquer semelhança com Efeito Borboleta. O filme é medíocre, ao contrário de Brilho Eterno, que revelou-se uma grata surpresa quando finalmente o assisti pela primeira vez, há uns três ou quatro anos. Ano passado convenci a Sarah a assisti-lo comigo, já que ela também relutava por não ir muito com a cara do Jim Carrey.

Como provavelmente todo mundo já viu, é meio inútil falar da trama, mas vamos lá: o filme começa com Jim Carrey e Kate Winslet se conhecendo, com alguns diálogos meio malucos onde já começamos a entender a personalidade de ambos, e então volta para o passado, onde ficamos sabendo o que aconteceu: eles eram um casal, mas o desinteresse deles um pelo outro fez com que Clementine (Winslet) se submetesse a um tratamento revolucionário que apaga todas as lembranças de uma pessoa a sua escolha, no caso, Joel (Carrey). Sabendo o que aconteceu, Joel se submete ao mesmo tratamento, e é quando entramos em sua mente e, num processo inverso à cronologia dos acontecimentos no mundo real, acompanhamos cada lembrança de Joel com Clementine, desde a mais recente, até a mais antiga. Só que, no meio do processo, Joel se arrepende e passa a tentar evitar a conclusão do tratamento.

Muitíssimo bem realizado por Michel Gondry, tendo sido escrito por Charlie Kaufman, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças merece o sucesso que teve, sendo um filme sensível e que, provavelmente, provocará lembranças boas e ruins a todos os espectadores.

(IMDb)

O Operário

Mais um filme que vi no ano passado e só agora estou comentando. Tinha muita vontade de assisti-lo pela curiosidade de ver o Christian Bale com aquele corpo esquelético, uma das mais notáveis transformações físicas que um ator se submeteu para atuar em um filme. O mais interessante foi que meses depois ele iniciava os trabalhos para filmar Batman Begins, onde estava acima de seu peso normal por causa dos músculos que teve que desenvolver para o papel, ou seja, além de recuperar o peso perdido para o filme anterior, ele ainda ganhou mais alguns além daquilo.

Felizmente, O Operário é um filme bom o bastante (ótimo, na verdade) para não depender do tipo de curiosidade que mencionei acima para entrar para a história. Acompanhando a rotina de Trevor, podemos ver que ele está em um profundo sofrimento. Só não sabemos o motivo. Sem conseguir dormir direito há mais de um ano e com falta de apetite, Trevor isola-se do mundo em suas próprias alucinações, que o ajudam a lidar com o sentimento que o deixou naquele estado.

O filme é realmente ótimo, e Bale, como de costume, mergulha de cabeça no personagem. O elenco, de uma forma geral, também faz um bom trabalho, com uma menção especial para o personagem Ivan (no filme, ele tem uma grande semelhança física com Marlon Brando), que era intrigante e, de certa forma, ameaçador.

(IMDb)

Mistérios da Carne

Sinceramente, ainda não decidi muito bem o que achei desse filme. Ele é visivelmente meia boca, mas me comoveu, de certa forma.

Mistérios da Carne trata de dois jovens com traumas de infância, sendo que enquanto um abraçou a realidade e virou um gigolô porra-louca barato de cidade pequena, o outro bloqueou as lembranças com falsas memórias de abduções extraterrestres. As atuações não comprometem, e a história toda dá uma sensação de sub-aproveitamento, mas não dá pra dizer que este seja um filme de todo ruim.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a lembrança saudosa de Gordon-Levitt de seu professor de beisebol na infância, não como uma criança que sofreu abusos sexuais aos 8 anos, mas sim de uma pessoa que não se sentiu explorada, e sim amada.

Não vou dizer que não me incomodaram as toneladas de cenas com boquetes man-to-man, mas paciência, elas são mais perturbadoras pelas circunstâncias do que pelo ato propriamente dito.

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