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Os Sonhadores

(Filme visto há vários meses, então serei breve nos comentários)

Os Sonhadores apresenta a história de um estudante americano em intercâmbio em Paris nos anos 60 e o envolvimento dele com um casal de irmãos gêmeos que o acolhem como “parte da família”, o que não os impede de explorar a sexualidade entre eles. Repleto de referências a outras obras de arte, cinematográficas ou não, o filme soa como uma homenagem do diretor, Bernardo Bertolucci, a artistas anteriores a ele, brincando com a forma como seus personagens se referem às obras, imitam cenas de filmes e constantemente competem entre si para testar os conhecimentos uns dos outros, num jogo de perguntas e respostas que envolve o espectador e o faz querer participar, também, da brincadeira.

O ambiente libertário em que os personagens se encontram é propício para que estes desenvolvam um gosto pelos protestos em andamento na França no período (maio de 1968), e aí entra o aparentemente único ponto de divergência entre o americano e os irmãos, sendo o primeiro contra as manifestações, e os últimos a favor, chegando a participar dos confrontos ao final do filme.

Como é comum em filmes europeus, a nudez é tratada com imensa naturalidade. Ao contrário de filmes mais “artísticos” feitos nos EUA, não só o corpo feminino é explorado pelas câmeras, mas também o masculino, ambos em sua totalidade, e tudo soa orgânico, nada forçado.

Os Sonhadores é uma bela história de amor a três. Amor entre eles, e amor deles pelas artes e pelo conhecimento.

(IMDb)

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Matrix Revolutions

Entendo que era necessário trazer a batalha retratada em Matrix e Matrix Reloaded para o mundo real, fora dos domínios virtuais da Matrix, mas vejo isso como o principal motivo para Revolutions ter sido um completo fracasso, aliado a respostas pouco convincentes dadas aos mistérios que surgiram em Reloaded.

Acho que a grande sacada de Matrix foi trazer a ideia de “algo dentro de algo”, anos antes de A Origem popularizar o “sonho dentro do sonho”. Só isso pode explicar por que Neo conseguiu usar seus poderes da Matrix no mundo real. Quando o arquiteto explicou a Neo que praticamente todos os humanos aceitariam viver na Matrix, desde que tivessem a opção de desistir dessa condição no momento que bem entendessem, fica explícito (pelo menos para mim) que o mundo real é, na verdade, uma camada da Matrix onde os humanos acreditam estar vivendo no mundo real, quando na verdadade seus corpos vegetativos encontram-se em outra camada, sem causar problemas para a soberania das máquinas e softwares que os controlam.

Como falei nos posts sobre os filmes anteriores, os dois filmes que tornaram Matrix uma trilogia chamaram o espectador de burro quando este achava que tinha dominado o conhecimento sobre aquele universo. E ninguém quer ser xingado de animal de tração, certo?

É uma pena, portanto, que o terceiro filme tenha deixado a peteca cair. Não se trata de um filme de todo ruim, mas é evidente que a trilogia merecia um desfecho condizente com a qualidade, grandeza e complexidade dos dois filmes anteriores.

(IMDb)

Matrix Reloaded

Após praticamente quatro anos de culto ao primeiro filme do que viria a se tornar uma trilogia, surge a continuação da história e, com ela, as primeiras críticas mais contundentes. Matrix tinha sido um filme facilmente digerido, e entendê-lo era uma tarefa que parecia ser mais difícil do que era na realidade, e isso era bom pra inflar o ego de pessoas que estavam acostumadas a não entender alguns filmes.

Reloaded veio para garantir que, na verdade, você não tinha entendido porra nenhuma. Smith se tornou um vírus, a função do Oráculo foi revelada e Neo, que era o então “todo poderoso” da Matrix, passou a ser só mais um entre vários escolhidos que haviam surgido antes dele.

Com sequências de ação que fazem o primeiro filme parecer obra de amadores, Matrix Reloaded lembra uma temporada de Lost: muitas perguntas são feitas, mas nenhuma resposta é dada. E como em Lost, você espera que a resposta será dada até o final da série, mas não é bem o que acontece em Matrix Revolutions, que comentarei em seguida.

Resumindo, acho Matrix Reloaded um bom filme, mas que ficou extremamente prejudicado pela canalhice que foi feita em Matrix Revolutions.

(IMDb)

Party Monster

A importância de Party Monster deve-se, quase que exclusivamente, à exposição gerada pelo retorno de Macaulay Culkin ao ofício que o consagrou e o trouxe problemas a ponto de anunciar sua aposentadoria como ator ainda na adolescência.

Baseado na história real da cena clubber nova-iorquina dos anos 80 e 90, o filme conta a história de Michael Alig, um dos “Club Kids” mais importantes da cena, e como a vida desregrada e sem limites culminou com o assassinato do traficante que lhe vendia (aparentemente fiado) as drogas. O filme é baseado no livro lançado por James St. James, personagem que divide o “protagonismo” com Alig.

A história do filme é muito boa, e é uma lástima que seja desperdiçada por dois diretores tão pouco talentosos. Tudo no filme remete a um grande reality show nos moldes daqueles mais bestas da MTV (estilo 16 and Pregnant), e se alguém ainda ousar afirmar que é porque os diretores queriam dar um ar de documentário ao filme, o argumento vai por água abaixo ao constatar que poucos anos antes, os MESMOS realizadores lançaram um documentário sobre o tema.

Resumindo: o filme é uma bela porcaria e ainda desperdiça boas atuações com uma produção precária.

(IMDb)

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Concluindo a trilogia de maior sucesso do cinema desde Star Wars, temos mais quatro horas de caminhada, batalhas, piadas ruins e homoafetividade hobbit. É o mais legal dos três filmes pois as cenas de ação e batalhas (as únicas realmente legais de toda a trilogia) estão em maior quantidade aqui. Mas isso não impede que sejamos obrigados a aguentar longas sequências do Gollum envenenando Frodo contra Sam, o amor platónico de Éowyn por Aragorn, e deste pela supostamente moribunda Arwen, e de mais cenas com as “desgraças em série” que citei no post anterior.

Mas a coisa que mais me chamou a atenção neste filme foi a infinidade de exemplos de deus ex machina, que você pode descobrir o que é, caso ainda não saiba, no Google. Alguns exemplos que lembro agora de cabeça (tem spoilers, who gives a fuck?):

1. Já sem exército nenhum para lutar contra os orcs, Aragorn subitamente lembra que existe uma civilização de espíritos amaldiçoados que esperam ser libertados para ter paz na morte. Eles fazem um acordo e ajudam os humanos na batalha, obtendo sua redenção ao final da luta.

2. Na última batalha, nos portões de Mordor, cercados por orcs, a guerra parece chegar em um final nada glorioso para os humanos. Eles vão lutando bravamente, aguentando o tranco, mas os Nazgul aparecem para piorar a situação. Seria este o fim da raça humana? Não, pois águias gigantes aparecem para duelar contra os Nazgul.

3. Depois de quase ter sido devorado por uma aranha gigante (babaquice do caralho essa aranha, hein?), Frodo foi capturado por orcs, que tomaram todos os seus pertences. TODOS. O anel? Sam havia pego sem que as câmeras mostrassem.

4. Nesta mesma parte do filme, quando centenas de orcs estavam no local em que Frodo havia sido levado, Sam tinha que salvar seu amigo. Mas como? Oras, inventaram uma briguinha entre os orcs que exterminou quase todos eles, restando apenas dois ou três para Sam matar.

Entre outros que não lembro agora.

Não quero tirar os méritos de Tolkien, porque deve ter sido foda inventar um monte de línguas, descrever diversos lugares e criaturas e essa coisa toda. Mas apesar de toda a grandiosidade da adaptação cinematográfica, a impressão que tive é de que a história não é nada além de bobinha.

Código 46

Já faz quase dois meses que assisti Código 46, então a memória está um pouco prejudicada, mas ao final do filme minha impressão tinha sido neutra. A ideia era digna, mas a produção fraca e a aparente falta de tesão dos realizadores prejudicou muito o resultado final da obra.

Não me recordo por qual motivo, mas existem combinações genéticas na procriação humana que são proibidas, e quando o casal que protagoniza a história se conhece (ela, uma falsificadora de “passaportes”, e ele, o investigador enviado para prendê-la), acabam se apaixonando mas, por terem os tais genes proibidos, o filho concebido na relação é abortado pela autoridade local junto com as memórias recentes da mulher, que incluem o seu amante.

Com o resto da história se resumindo a uma fuga para poderem viver seu amor, o filme fica desinteressante. E é dessa forma que ele termina, sem chamar muito a atenção e sem ser guardado na memória, tanto que tive que recorrer a sinopses pra lembrar de algumas coisas.

Dispensável.

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