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Quero ser John Malkovich

quero-ser-john-malkovichMais um comentário curto pra manter as coisas em dia por aqui.

Os filmes escritos pelo Charlie Kaufman sofrem de um mal equivalente ao dos filmes dirigidos pelo Quentin Tarantino: a pagação de pau dos fãs. Apesar de, normalmente, serem ótimos, eles já conquistam minha desconfiança pelo simples fato de serem o que são (e de serem tratados da forma como são).

Quero ser John Malkovich é o perfeito exemplo disso. O filme é muito bom, tem uma história original – mérito inegável de Kaufman -, conta com atuações inspiradas de John Cusack e de uma irreconhecível Cameron Diaz, tem doses certas de humor e tudo mais necessário para eu poder dizer que é um filme que eu gostei.

Mas todas aquelas pessoas que pagaram o maior pau no Orkut há quase 10 anos moldaram minha indiferença atual por este filme.

Obs.: isso mesmo, seu velho, ano que vem o boom da rede de relacionamentos Orkut completará 10 anos, a cacofonia na oração anterior é por conta da casa.

(IMDb)

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O Talentoso Ripley

o-talentoso-ripleyJá faz pelo menos seis anos que tenho interesse em assistir O Talentoso Ripley, filme protagonizado por Matt Damon, Jude Law “e grande elenco”, mas na verdade nunca soube exatamente do que se tratava. Para minha surpresa, acabei sendo fisgado pela trama, e posso afirmar que no quesito “contrator de esfíncter”, achei o filme ótimo.

Fiquei tenso durante boa parte do filme, principalmente quando a relação entre Tom Ripley (Damon) e Dickie (Law) começa a azedar. Como disse, não tinha conhecimento do desenrolar da história. Para mim, o tal “talento” de Ripley poderia servir pra muita coisa, mas pelas circustâncias que o afundaram numa trama tão complexa de mentiras acabou se tornando um frio assassino, incapaz de simplesmente desistir das mentiras que criou.

Alguns detalhes são questionáveis, principalmente no que diz respeito à aparente incompetência da polícia italiana em resolver um caso criminal (tanto que a investigação parece só chegar a algum lugar depois que um detetive particular americano contratado pelos pais de Dickie entra em cena). E o que dizer da insistência de Ripley em ficar na mesma cidade onde estão diversos amigos de Dickie mesmo sabendo das dificuldades que já vinha tendo em esconder seus atos? Não teria sido mais fácil hospedar-se em outra cidade? Talvez até outro país? Ou a vontade de assumir a vida de seu antigo “irmão” e finalmente ser aceito na elite da sociedade não seria capaz de o fazer medir esforços?

Embalado por Jazz até boa parte do filme, O Talentoso Ripley é distintamente dividido entre a inocência e a maturidade criminosa de seu protagonista, e Matt Damon é muito competente nos dois momentos. Menino de sorriso ingênuo e carente de amor fraternal, que pensa ter encontrado no amigo Dickey, Tom impulsivamente descobre-se capaz de chegar ao extremo de friamente matar seu melhor amigo, roubar-lhe a identidade e matar mais e mais pessoas para preservar o segredo e o status adquirido com a nova vida, sem, no entanto, deixar de demonstrar grande abalo emocional pelos crimes que comete.

Tirando o fato do filme retratar a Europa como uma pequena cidade de interior, onde conhecidos se esbarram por aí a todo instante, o longa é competente e satisfatório, tendo despertado meu interesse em acompanhar outras “aventuras” de Tom Ripley adaptadas para o cinema.

(IMDb)

Matrix

Assisti com a Sarah a trilogia de Matrix há uns meses, e espero que consiga comentar sobre os três filmes ainda hoje. O sucesso deste filme na época de seu lançamento foi algo que se aproximou do chato. Todo mundo só falava disso, coreografava os desvios das balas em câmera lenta e ficava perguntando ao coleguinha “E AÍ CÊ CURTIU?”, para perguntar em seguida “E TU ENTENDEU?!?”. Bem coisa de criança besta, mesmo. Eu estava na sétima série, imagino que, se um filme é tão dificil assim de entender, não é uma criança de 13 anos que vai fazê-lo com tanta facilidade.

Fato é que Matrix nunca foi um filme difícil de entender. Na verdade, acho ele até bem mastigadinho, se for comparar com o Reloaded (esse, sim, precisa de um grau maior de abstração). Duvido que alguém desconheça a história, não sou eu quem vai contá-la aqui, então larga de ser vagabundo e vai ver o filme.

Revendo o filme 12 anos depois, ele continua impressionando. A história segue sendo relevante e os efeitos especiais ainda convencem, mas é uma pena que os realizadores tenham achado, de verdade, que Keanu Reeves seria uma boa opção como ator.

Más escolhas à parte, é inegável que Matrix tem seu lugar garantido na história da ficção científica no cinema.

(IMDb)

Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma

De longe, o filme mais fraco das trilogias, não dá nem vontade de falar muita coisa sobre ele. Esta nova trilogia, como todos sabem, trata basicamente da origem do Darth Vader e do império, mas algumas escolhas foram muito infelizes, como Jar Jar Binks (devidamente ignorado – ou quase – nos dois filmes seguintes) e efeitos especiais e cenários em CGI que, se na época que assisti no cinema foram convincentes o bastante, revendo hoje em dia mais parecem cenários de videogame.

Em A Ameaça Fantasma, conhecemos as circunstâncias em que Obi Wan Kenobi e Anakin Skywalker se conheceram, assim como somos apresentados ao problema com os rebeldes do período, que agem como laranjas de um golpe muito mais abrangente orquestrado pelo senador Palpatine.

Ponto positivo da nova trilogia: MACE FUCKIN’ WINDU, the badass jedi.

(Este e os próximos dois posts talvez sejam os que tive menos vontade de escrever, mas uma hora teria que fazê-lo, que seja agora)

Clube da Luta

Existem duas formas de assistir Clube da Luta: a primeira e as demais. Na primeira vez que você assiste a este filme, você reage com surpresa e curiosidade a cada cena, tentando entender melhor tudo o que está se passando até que, no terceiro ato, ocorre um combo de revelações bombásticas que levam ao clímax do filme. A partir da segunda vez que você assiste, o clímax está em cada pequeno momento de interação entre o “Narrador” (Edward Norton, referido desta maneira nos créditos por motivos óbvios, para quem já viu o filme) e Tyler Durden (Brad Pitt), onde o objetivo deixa de ser a compreensão do filme, como um todo, para focar na investigação do personagem, e na sequência de ocorrências que o levam ao seu estado no final do filme.

Trata-se de um clássico de seu tempo, um filme que não parece datado, mesmo 12 anos depois de seu lançamento. Assisti-o pela enésima vez neste ultimo domingo, e a cada escroteada que o “Narrador” dava na Marla (Helena Bonham Carter) eu prestava atençao na sua reaçao, sempre incredula, achando-o ou um louco, ou um belo filho da puta.

Infelizmente, a primeira vez você só pode assistir uma vez. Depois disso, precisamos nos contentar em ter a mesma experiência para sempre.

A Bruxa de Blair

Pra começar: eu nunca tinha visto este filme. Sim, é verdade, fui meio metidinho a indie na época e deixei passar a hype sem me deixar influenciar, mas nunca senti falta de ter visto o filme. Agora, que assisti, me arrependo de não tê-lo feito na época, pois perdi o que o filme oferece de melhor, que é a dúvida com relação a realidade dos fatos expostos na tela. Quando você é uma criança de 13 anos sem acesso às maravilhas informativas da internet contemporânea, fica muito mais fácil se deixar levar pela história.

Não foi o que aconteceu comigo.

Lamento, de verdade, pelo filme não ter tido oportunidade de me deixar engacalhado de medo, porque gostei muito dele, não tenho qualquer crítica negativa a fazer.

Se você (que lê este blog agora, which means no one) foi burro como eu e deixou passar esta pérola, não assista agora. Deixe para assistir com seu filho quando ele tiver uns 10 anos. Pelo menos ALGUÉM vai se borrar durante o filme.

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