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Esfera

esferaJá há algum tempo tinha a intenção de ler o livro Esfera, de Michael Crichton (escritor de, entre outros, Jurassic Park), mas minha vontade foi minguando até o ponto em que se tornou apenas um email que mandei para mim mesmo e deixei como não-lido, lembrando-me de ler a obra. Resolvi, então, seguir pelo caminho mais fácil, o caminho da marotagem de um vestibulando, que assiste Policarpo Quaresma, Herói do Brasil achando que isso substituirá a experiência de ler o Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Feita a autocrítica, falemos do filme, pois.

A exemplo do filme sobre o qual escrevi anteriormente, O Enigma do Horizonte, Esfera é desses sci-fi dos anos 90 que hoje são tratados com o mais absoluto desprezo, pois em uma escala sub-celebridade de insignificância em função do tempo decorrido, o filme se posicionaria em algum lugar entre Robinson Anjo e GEM (Garotos em Movimento, uma boys-band brasileira do início do século XXI que aparentemente não deu muito certo).

O enredo do filme é muito bom, com elementos que compõem bem os personagens, mas por algum motivo, o filme não ficou legal. Um psicólogo (Dustin Hoffman) é chamado pelo governo dos EUA para um procedimento em um ponto remoto do Oceano Pacífico, onde ele acredita ter havido uma queda de avião. Lá chegando, é informado que, na verdade, foi encontrada uma nave espacial que se encontrava naquele local há cerca de 300 anos, e agora estavam dispostos a enviar uma equipe para investigá-la. Misturando as vibes do já citado Enigma do Horizonte e O Segredo do Abismo (sério, são muitas, muitas semelhanças), a equipe formada ainda pela Sharon Stone dos bons tempos, Samuel L. Jackson e grande elenco descobre que a nave, na verdade, é terráquea, tendo viajado ao passado e caído naquele local. Dentro dela, uma misteriosa esfera, que logo apronta das suas, interferindo nas ações das pessoas da equipe.

O filme me instigou ainda mais a ler o livro, pelo simples motivo de que não é possível que uma história tão promissora tenha gerado um filme tão meia-boca. O livro deverá mudar minha visão.

(IMDb)

A Fúria dos Reis (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Dois)

Tendo como ponto de partida a coroação de Robb Stark como Rei do Norte, este segundo livro das Crônicas de Gelo e Fogo narra a Guerra dos Cinco Reis, além dos acontecimentos em Essos (com Daenerys e seus três recém nascidos dragões) e na Muralha (com a partida de 300 patrulheiros para além da Muralha, a fim de explorar a região e tomar conhecimento dos planos do rei-para-lá-da-muralha).

A narrativa por ponto de vista funciona muito bem, assim como no livro anterior, mostrando os acontecimentos pela ótica de personagens diferentes. Também é louvável o sucesso do autor ao incorporar ao ponto de vista de cada personagem seus pensamentos (muitas vezes intercalando pensamentos no meio de algum diálogo de uma forma ágil e nem um pouco confusa), as memórias e até a ignorância deles relacionada a algum assunto. Não são raros os casos onde, em um capítulo centrado em um personagem, algum ponto misterioso na trama surge, só para ser explicado nos capítulos seguintes, aos olhos de outro personagem que tenha algum conhecimento sobre o assunto.

Neste segundo livro, meus personagens favoritos foram Arya, Tyrion e Jon Snow. A entrada de Theon Greyjoy como um dos personagens com ponto-de-vista trouxe um foco ao núcleo mais chato da história até o momento: os homens das Ilhas de Ferro. Infelizmente, parece que cai sobre eles o foco do quarto livro, que já aguardo com certa apreensão. Outro personagem que surge na trama (e também ganhando alguns capítulos como ponto-de-vista) é Davos Seaworth, um ex-contrabandista e atual cavaleiro nomeado por Stannis Baratheon. Sua inclusão foi muito mais feliz do que a de Theon.

Com uma leitura fluida este livro mantem o nível do primeiro e levanta a bola para os acontecimentos narrados no terceiro livro, que, na minha opinião, eleva muito a qualidade da história.

O Grande Lebowski

Revi com a Sarah no fim de semana este que é um dos mais famosos filmes dos ótimos irmãos Coen, e também uma das melhores comédias já feitas pela raça humana. Já fazia alguns anos desde a última vez que vi, e não lembrava de muitos detalhes engraçadíssimos, o que tornou esta revisão melhor ainda.

O Grande Lebowski nem tem uma trama muito original: um vagabundo, homônimo de um ricaço, é confundido com este último por uma organização criminosa. Desfeito o mal entendido, ele procura seu xará milionário para pedir por um tapete (já que os bandidos haviam mijado no dele) e acaba envolvido nas tramóias que envolvem o sequestro da mulher do magnata.

Sempre acompanhado por seus amigos e parceiros de boliche (Steve Buscemi e John Goodman, numa interpretação hilária), o protagonista Jeff “Dude” Lebowski (Jeff Bridges) divide seu tempo entre jogar boliche, fumar maconha e, agora, tentar ganhar dinheiro às custas das pessoas envolvidas no caso, seja recuperando a maleta com todo o dinheiro ou uma porcentagem dela, se topar devolvê-la.

O filme é muito bem feito e é engraçadíssimo, recomendo muito.

(IMDb)

Pi

Já faz uns meses que vimos este que é o primeiro filme de Darren Aronofsky, e infelizmente muitos detalhes da trama eu já não me recordo, mas trata-se da história de um matemático que acredita que todos os acontecimentos e fenômenos podem ser explicados pela matemática, até que descobre um número de 216 algarismos após seu computador quebrar tentando decifrar o comportamento da bolsa de valores. Atormentado constantemente por dores de cabeça fortíssimas e dando indícios de paranóia e esquizofrenia, o matemático Max vê outras pessoas tendo interesse em seu estudo, como agentes de uma empresa e um matemático judeu que busca interpretar o Torá através da matemática.

Pi é um filme complicado, fiquei sem entender algumas partes, talvez por ignorância na matemática ou na cultura hebraica, mas é muito interessante, e um ótimo cartão de visitas do diretor que, anos mais tarde, seria considerado um dos melhores diretores da atualidade por trabalhos como Réquiem para um Sonho e Cisne Negro. O filme é em preto e branco, com a imagem granulada, o que talvez não fosse a escolha do diretor se ele dispusesse de um orçamento mais generoso, mas caiu bem à obra pois aumenta a sensação de desconforto, como se tomássemos as dores e paranóias do personagem principal.

(IMDb)

Cidade das Sombras

Durante muitos anos quis assistir este filme, não só pelos comentários positivos a seu respeito, mas também pelas semelhanças com Matrix, apontadas por muitas pessoas. Por ter sido lançado alguns meses antes, minha curiosidade aumentou ao ser informado de que a temática de ambos era, supostamente, parecida. Já digo que um filme não tem nada a ver com o outro. Existe uma semelhança aqui, outra ali, mas não são, nem de longe, parecidos.

Cidade das Sombras é um local misterioso, onde a memória de seus habitantes é objeto de experimentos de seres extra-terrestres, tornando-se impossível confiar em qualquer memória, seja ela a mais banal, como onde esteve no dia anterior, como as lembranças da infância e da família. Cabe a John Murdoch (Rufus Sewell) descobrir uma maneira de dar fim a esta situação imposta por essa estranha forma de vida que os domina e restabelecer a normalidade dos acontecimentos na Cidade das Sombras.

O filme é legal, mas já não consigo nem mesmo recordar muitos detalhes da trama. Mesmo fazendo alguns meses que o vi, se fosse um filme marcante, certamente eu lembraria de mais coisas.

(IMDb)

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