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O Enigma do Horizonte

o-enigma-do-horizonteO Enigma do Horizonte é um sci-fizinho bem mequetrefe sobre uma equipe designada para ir até um ponto nos confins do sistema solar onde uma nave espacial está, aparentemente, abandonada, depois de ter passado um tempo sem ser captada pelos radares. Sendo uma missão até certo ponto secreta, ninguém sabe ao certo o que aconteceu com a nave, com a exceção do Dr. Weir (Sam Neil), que foi quem desenvolveu a tecnologia da nave.

A questão é que a nave tinha um certo sistema de propulsão em que era possível viajar instantaneamente de um ponto a outro criando uma espécie de buraco negro, só que na viagem inaugural da maravilha tecnológica criada pelo doutor, alguma merda aconteceu e aparentemente todos na nave morreram.

Entrando na nave, descobrem que seu “núcleo” proporciona a passagem para uma outra dimensão, e ele dá vida à toda a nave, que se manifesta no subconsciente das pessoas causando um certo estrago psicológico com traumas do passado. E a partir daí, o filme vira um “O Iluminado” no espaço, com um personagem específico sendo manipulado pela nave e sabotando os outros em suas tentativas de escapar dali.

O filme ainda investe pesado na temática religiosa/espiritual da porra toda, com personagens vendo o inferno, falando latim, faltando apenas um latino-americano segurando um crucifixo e fazendo o sinal da cruz repetidas vezes.

(IMDb)

 

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A Outra Face

a-outra-faceCompletando a sessão dupla John Travolta de ontem, assistimos este clássico dos anos 90 dirigido pelo John Woo, antes que este cometesse Missão: Impossível 2. (Filme ruim como aquele não se faz, não se dirige, não se realiza. Se comete, como homicídios, crimes, atrocidades etc.)

Não sei como foi a repercussão na época, e admito que nunca tinha assistido este filme do início ao fim, mas a ideia de trocar de rosto, no cinema, não tem nada de novo, inclusive já comentei aqui há um tempo sobre o filme francês Olhos Sem Rosto, de 1960, onde um médico, para devolver à sua filha que sofreu queimaduras graves, mata moças com as mesmas características físicas para usar seus rostos num experimento de transplante facial. Claro que em A Outra Face, feito quase 40 anos depois, foi possível obter resultados muito mais convincentes, mas no que diz respeito à tensão gerada pela cena, o filme francês ganha.

Contando a história de um policial (Travolta) que perde o filho ao serem atingidos por um tiro endereçado apenas a ele (e sem explicar muito bem o motivo), o filme já começa com uma grande cena de ação que culmina com a captura do terrorista interpretado por Nicolas Cage (que acaba entrando em coma) e seu irmão sociopata, que é preso numa instituição de segurança máxima. O grande problema é que os terroristas armaram uma bomba em algum lugar de Los Angeles, e só eles sabem onde ela está e como desarmá-la.

Neste ponto entra o cirurgião para apresentar a moderna tecnologia de transplante facial, sugerindo que o policial faça a cirurgia para, com a aparência física do terrorista, falar com o irmão deste e descobrir detalhes da bomba.

Após a cirurgia, e dando entrada na prisão, Travolta consegue a informação que precisava, mas no meio tempo o terrorista verdadeiro acorda de seu coma, tem o rosto do policial implantado em seu rosto e mata todas as poucas pessoas que sabem da ocorrência do transplante, assumindo a vida do policial em liberdade e tornando-se herói nacional ao desarmar a bomba.

A Face Oculta é um típico filme de John Woo, com boas cenas de ação e de tiroteios, e só acaba se tornando engraçado, involuntariamente, pelo overacting dos dois atores principais, o que não chegou a ser um problema.

Para minha surpresa, acabou sendo mais agradável que o esperado a tal sessão dupla com filmes do Travolta.

(IMDb)

Cubo

Mais um filme que vi ano passado e só comento agora. Lembro bem de, na adolescência, pegar esta fita na mão, na locadora, ponderar e, por mim, optar por levar algum outro filme. Devia ter assistido este, pois, naquela época, eu provavelmente teria gostado muito.

O filme tem suas semelhanças com a franquia Jogos Mortais: um grupo de desconhecidos acorda em um local desconhecido de onde precisam resolver algumas charadas para sobreviver às armadilhas do local. No caso deste filme, o tal lugar é um cubo gigante, composto por vários cubos menores dentro dele, onde cada cubo é um compartimento com uma porta ligando ao outro cubo em todas as seis faces. Nas portas que dão acesso aos outros cubos, uma sequência de números esconde algum enigma.

Cubo é uma experiência interessante, e, na época, deve ter sido bem original. Hoje em dia já não chama muito a atenção, mas ainda assim a experiência é válida. O maior problema é a atuação dos atores, mesmo. Todos são muito fraquinhos.Não que você precise ser um Marlon Brando pra fazer um filme em que você provavelmente vai morrer em menos de dez minutos, mas um pouco mais de bom senso na escolha do elenco não faz mal a ninguém.

No mais, algumas mortes são legais, outras são bem babacas, e os “mistérios misteriosos” são bobos, mas a diversão é garantida.

(IMDb)

Contato

Baseado no livro homônimo do falecido Carl Sagan, Contato conta a história de uma astrônoma com algumas dificuldades de obter financiamento em sua pesquisa, que, resumindo, sonsiste em buscar ondas de rádio no espaço que possam significar a descoberta de civilizações extra-terrestres. Eleanor (Jodie Foster) repete, no filme (e com certeza no livro também), muitos dos argumentos utilizados pelo próprio Sagan em seus livros e outras mídias para defender a pesquisa em assuntos espaciais e, também, o ceticismo e ateísmo.

Após a recepção de um sinal de rádio e sua posterior decodificação, os cientistas descobrem que trata-se de um “manual de instruções” para a construção de uma nave espacial que poderá levar um ser-humano para o planeta de onde veio a mensagem, que acaba tendo sua construção aprovada por um comitê internacional. Isso provoca as mais diversas reações na população, e um grupo extremista religioso vê nesta atitude uma ameaça ao seu conceito de Deus, levando seu “líder” a uma atitude que, ao fim, leva Eleanor a ser a escolhida para a missão.

Gostei muito do filme, mas um ponto essencial precisou ser alterado com relação ao livro (que ainda não li): Sagan escreveu a história durante a Guerra Fria e, ao adaptarem o filme após este período, perdeu-se muito do sentimento de constante ameaça que o mundo vivia no período. Ao final, a mensagem do filme é muito semelhante à de Watchmen, HQ também ambientada na época do fim da Guerra Fria, mas parece menos impactante vista fora daquele contexto.

Outra mudança, de menor impacto, foi a necessidade hollywoodiana de criar casais. Eleanor e Palmer (Matthew McConaughey) já começam o filme como um “casal” (não-convencional, com seus problemas, mas a narrativa parece deixar bem claras as intenções de ambos), enquanto no livro, pelo que me informei, nunca fica claro se eles chegaram a ficar juntos, de fato.

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