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O Planeta dos Macacos

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Apesar do spoiler na capa das edições modernas para home video, foi com muito entusiasmo que assisti pela primeira vez a este clássico da ficção científica, lá pelos meus 15 anos, alugando um box com todos os filmes da franquia. As sequências eu acabei nunca assistindo, não sei por qual motivo, mas o fato é que o primeiro filme me bastava, ele era auto-suficiente, e levando em consideração esta minha mais recente revisão da película, permanece sendo.

Estrelado por Charlton Heston, que ainda colhia os louros da época em que estrelou alguns dos épicos mais marcantes do final dos anos 50, O Planeta dos Macacos é uma obra essencial, e nem mesmo a bomba dirigida por Tim Burton três décadas mais tarde é capaz de arranhar o brilhantismo do filme que deu origem a tudo.

Para as pobres almas que ainda não sabem do que se trata, filme conta a história de um grupo de astronautas que faz um pouso forçado em um planeta desconhecido, e à medida em que o exploram, descobrem uma tribo de humanos vivendo na selva e uma civilização de macacos inteligentes que é a raça dominante do lugar.

À medida que o filme se aproxima do fim e as evidências começam a ser cada vez mais escancaradamente jogadas em nossa cara, temos a impressão que já sabemos o que vai acontecer, mas quando CERTO OBJETO (olha só, eu tentando evitar spoilers de um filme de 45 anos) aparece em cena, o frio na espinha é a única forma que seu corpo tem de dizer que este filme, senhoras e senhores, é um puta filme.

(IMDb)

Se o meu Fusca falasse

se-o-meu-fusca-falasseHá vários meses quis assistir este filme e hoje, no meu primeiro dia de férias, finalmente pude fazê-lo. Guardava algumas lembranças de quando assistir, na infância, mas não sei se este pode ser considerado um clássico da Sessão da Tarde (se não me falha a memória, ele passava no Cinema em Casa, no SBT). Os filmes dos anos 60, na verdade, já eram pouco populares nos anos 90, então é possível que a nossa geração (nascidos circa 1986) tenha sido a última a assistir este simpático filme em sua versão original.

Um remake foi feito em meados dos anos 90, além de uma continuação com a já decadente Lindsay Lohan no papel principal (não, ela não interpretava o Fusca), mas apesar de eu não ter assistido nem um nem outro, imagino que tenham sido um fracasso.

O filme tem uma pegada bem cartunesca, parecendo, às vezes, um longa metragem da Corrida Maluca, com todos os clichês possíveis, mas funciona muito bem para um filme infantil. Conta a história de um piloto de corridas fracassado que acaba meio acidentalmente comprando o fusca Herbie, sem saber que ele tinha “vida”. Ao competir com Herbie, o piloto passa a vencer várias corridas seguidas, e apenas seu amigo, Tennessee, sabe do segredo do carro. And let the cliches begin.

Admito que depois de um ponto eu já tinha matado a saudade e queria somente que o filme acabasse logo, mas ainda assim, recomendo aos saudosistas.

(IMDb)

Barbarella

Tolo eu fui por achar que Barbarella fosse um filme minimamente preocupado com o roteiro, oferecendo algum entretenimento além da Jane Fonda em roupas diminutas. Baseado numa história em quadrinhos homônima, que pelo jeito eram a fonte de inspiração masturbatória da época, este filme de 1968 lembra a precariedade técnica dos filmes dos trapalhões da década seguinte, ou os efeitos especiais utilizados em Chapolin, e a história se resume à exploração do corpo da Jane Fonda, tanto pelas câmeras quanto pelos personagens masculinos da trama.

Com uma introdução de alguns minutos mostrando a personagem-título despindo-se de sua roupa de astronauta, o filme já dá o tom do que virá no diálogo de Barbarella com o presidente da república da Terra: com os olhos fixos no corpo nu da astronauta, ele informa sua missão de ir até um planeta onde um cientista está desaparecido após ter revelado a descoberta de uma arma de destruição em massa, num tempo em que armas não existem devido à convivência pacífica de todos os povos no sistema solar. O cumprimento dos terráqueos, inclusive, é dizer “amor” com uma mão erguida.

O que segue é uma série de problemas em que a protagonista se mete (sério, é muita ingenuidade, ela é ludibriada até por crianças de uns 12 anos), só para ser salva por algum personagem masculino e imediatamente liberar a xavasca como forma de agradecimento. Até que no fim ela finalmente encontra quem procurava, e acontece um plot-twist que deixaria até o Michael Bay envergonhado.

Candidato a ganhar um remake pelas mãos de algum produtor de Hollywood ávido por dinheiro fácil, este é um filme que espero sempre lembrar de nunca mais assistir.

(IMDb)

2001: Uma Odisséia no Espaço

Não consigo imaginar como deve ter sido a recepção de 2001 na época de seu lançamento original, mas hoje em dia, acredito que seja consenso o pensamento de que este é o filme responsável por alçar o gênero de ficção científica a um patamar mais elevado, digno de ser levado a sério por todos, e não somente por entusiastas do gênero. Enquanto os principais filmes da época abusavam de elementos fantasiosos e inverossímeis, fazendo com que a maioria desses filmes pareça ridícula nos dias de hoje, 2001 envelheceu muito bem, não só por seu enredo, mas até mesmo pelos efeitos especiais que, apesar de já terem mais de 40 anos, não parecem nem um pouco datados. Sem dúvida, um feito magnífico para um gênero que abusa de efeitos especiais de última geração e vê seus resultados serem superados em qualidade ano após ano, fazendo com que um filme já consiga parecer velho apenas 5 anos depois de seu lançamento.

Dois filmes que já comentei aqui no blog tomam emprestadas ideias de 2001: Lunar, que trata da relação homem-máquina, mas sem o antagonismo visto neste filme de Kubrick, e A Árvore da Vida, por empregar longos planos contemplativos do espaço e outras coisas, e também por sua natureza inconclusiva, ou seja, não há a intenção de contar uma história com começo, meio e fim, como a esmagadora maioria dos filmes, (a menos que você pense que o filme é sobre o astronauta Dave, mas aí a culpa é toda sua) e sim proporcionar uma experiência de contemplação de cenas executadas com maestria e reflexão sobre os acontecimentos apresentados e a própria evolução da raça humana.

A presença do monolito, por exemplo, até hoje, 43 anos depois, ainda é assunto para discussões, e o uso da tecnologia que, mesmo exagerando em vários pontos (não é fácil prever como será o mundo 33 anos à frente, ainda mais no período da explosão da corrida espacial – evitei a cacofonia “boom da” corrida espacial) não se mostrou tão absurda assim. Acho, inclusive, que este é um motivo de o filme não parecer “velho” hoje em dia: o que vemos na tela ainda faz parte do nosso imaginário do futuro. Viagens de rotina para a Lua, por exemplo, estão longe de ser uma realidade como a mostrada no filme (lançado um ano antes do primeiro ser humano pisar, de fato, na Lua), mas sabemos que, cientificamente, é possível, e isso faz com que o filme até hoje desperte esse tipo de sonho.

É sempre um prazer rever 2001: Uma Odisseia no Espaço, e desta vez não foi diferente, e nem será nas próximas.

(IMDb)

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