Stargate – A Chave para o Futuro da Humanidade

stargateJá faz uns meses que assisti a este clássico da ficção científica brega noventista, então este post será mais breve do que eu inicialmente gostaria que fosse, já que foi um filme que gostei bastante e que até hoje faz parte das minhas boas lembranças da infância.

Basicamente, Stargate fala sobre como um portal de teletransporte foi descoberto por historiadores e, assim que souberam como fazê-lo funcionar, um grupo de exploradores o atravessa e vai parar em outro planeta, com características muito semelhantes à mitologia do antigo Egito. A trama, que deve ser o sonho molhado do Giorgio Tsoukalos, é simples, mas foi capaz de gerar um universo grandioso explorado em diversas séries de TV, bem como uma legião de fãs.

Não acho que seja pra tanto. Como falei, gosto do filme, apesar de dar corda para teorias malucas de alienígenas construindo pirâmides, mas seu roteiro já mal consegue dar conta de cobrir as duas horas de filme.

Stargate tem aquele visual cafona com os efeitos especiais precários do início dos anos 90, fazendo com que uma hipotética aparição da Xuxa cantando Lua de Cristal fosse algo pouco surpreendente. As atuações são corretas, e a trilha sonora não é grande coisa.

Uma curiosidade, só pra aumentar o tamanho do post: o ator que interpreta o deus Ra havia sido nomeado ao Oscar dois anos antes, e depois participou deste filme, que não pode ser considerado um fracasso. E depois disso abandonou a carreira de ator. Então tá.

(IMDb)

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O Planeta dos Macacos

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Apesar do spoiler na capa das edições modernas para home video, foi com muito entusiasmo que assisti pela primeira vez a este clássico da ficção científica, lá pelos meus 15 anos, alugando um box com todos os filmes da franquia. As sequências eu acabei nunca assistindo, não sei por qual motivo, mas o fato é que o primeiro filme me bastava, ele era auto-suficiente, e levando em consideração esta minha mais recente revisão da película, permanece sendo.

Estrelado por Charlton Heston, que ainda colhia os louros da época em que estrelou alguns dos épicos mais marcantes do final dos anos 50, O Planeta dos Macacos é uma obra essencial, e nem mesmo a bomba dirigida por Tim Burton três décadas mais tarde é capaz de arranhar o brilhantismo do filme que deu origem a tudo.

Para as pobres almas que ainda não sabem do que se trata, filme conta a história de um grupo de astronautas que faz um pouso forçado em um planeta desconhecido, e à medida em que o exploram, descobrem uma tribo de humanos vivendo na selva e uma civilização de macacos inteligentes que é a raça dominante do lugar.

À medida que o filme se aproxima do fim e as evidências começam a ser cada vez mais escancaradamente jogadas em nossa cara, temos a impressão que já sabemos o que vai acontecer, mas quando CERTO OBJETO (olha só, eu tentando evitar spoilers de um filme de 45 anos) aparece em cena, o frio na espinha é a única forma que seu corpo tem de dizer que este filme, senhoras e senhores, é um puta filme.

(IMDb)

Grindhouse

grindhouseJá tinha visto À Prova de Morte e boa parte de Planeta Terror em ocasiões distintas, em suas edições mais longas, para lançamento individual, mas tinha certa curiosidade em acompanhar esta obra conjunta de Tarantino com seu fiel escudeiro Robert Rodriguez da forma como foi concebida, ou seja, em sessão dupla para cinema, em versões um pouco mais curtas e com os trailers fictícios entre os dois filmes.

Não seria justo dizer que o filme é ruim se sua intenção é parodiar os filmes ruins dos anos 70. Aliás, se sua intenção é emular a precariedade das produções da época, com resultados desastrosos, então podemos considerar que o filme é um sucesso em seu fracasso. Ainda assim, me sinto confuso ao assistir a esses filmes pois a sensação que tenho não é a de ter visto FILMES, e sim alguma paródia no YouTube. Ao final da experiência, a impressão que dá é que passamos mais de três horas assistindo uma gigantesca piada interna dos realizadores, onde procuramos pescar as referências e rir daquilo tudo sem entender os pormenores das piadas, mas rindo, mesmo que um sorriso amarelo, só pra não parecer muito deslocado das crianças populares da turma.

Planeta Terror, de Rodriguez, trata de uma epidemia zumbi em uma pequena cidade interiorana, e os esforços de pessoas comuns para sobreviver em meio àquele caos, culminando com uma super bad-ass Rose McGowan perneta com uma metralhadora no lugar do membro amputado. O filme é mais coeso que o de Tarantino, funciona melhor como obra individual e acredito que tenha sido mais bem aceito pelo público.

À Prova de Morte, de Tarantino, mostra a psicopatia de um dublê de filmes de ação em sua caçada por garotas com potencial para a morte em “acidentes” de trânsito. Na primeira tentativa, sucesso total, diversas garotas mortas (com cenas bem explícitas, inclusive) e o dublê escapando praticamente incólume. Já no segundo, com outro grupo de garotas, a conclusão é bem menos vantajosa para o personagem de Kurt Russell.

Os trailers são uma atração à parte, muito divertidos, com uma menção especial para o de Thanksgiving, de Eli Roth (outro protégé de Tarantino)

(IMDb)

As Aventuras de Pi

as-aventuras-de-piNada como manter as expectativas baixas antes de ver um filme que você não faz ideia do que esperar: por todos os comentários que li sobre este As Aventuras de Pi, eu esperava que ele fosse um filme que chegaria a me irritar, ainda mais levando em consideração sua temática multi-religiosa e altamente espiritual, mas refletindo mais sobre o filme, a impressão que eu tive foi que ele funciona mais como propaganda anti do que pró-religião.

O visual do filme me incomodou um pouco, mas casa bem com o tom fantástico adotado na narrativa. Assisti em 2D, mas acredito que o 3D tenha tornado a experiência mais rica, apesar de algumas cenas parecerem retiradas daqueles documentários de fundo do mar em 3D.

O filme conta a história de um garoto indiano cujos pais, que têm um zoológico, resolvem se mudar para o Canadá e vender alguns dos animais na América para obter algum lucro, mas o naufrágio do navio em que viajavam acaba por deixar Pi perdido no meio do Pacífico em um bote com um tigre que desde sua infância o fascinava e aterrorizava.

A discussão teológica começa no fato de Pi ser um rapaz aberto a fé alheia bem como à sua própria, então o vemos abraçar religiões diversas até seu pai brincar que, assim que ele abraçar também o judaísmo (depois de já se “converter” ao hinduísmo, catolicismo e islamismo), não precisará mais trabalhar, pois todo dia será feriado em alguma religião. As críticas pontuais do pai à religiosidade de Pi vão de encontro ao apoio que este recebe da mãe, e esta dualidade se estende a todo o resto do filme, de maneiras mais ou menos sutis.

Como todo bom fundamentalista, Pi interpreta como sinal de Deus os acontecimentos mais arbitrários, como quando põe sua própria vida em risco ao tentar contemplar uma tempestade ao invés de procurar se proteger dela. Se por um lado ele continua buscando forças em sua fé para permanecer vivo, são as engenhocas que ele aprende a fazer em um pequeno guia de sobrevivência que tornam sua sobrevivência possível.

Alguns detalhes do filme, mesmo que não intencionais, acabam funcionando como argumento anti-religioso, como o fato das religiões de hoje serem uma colcha de retalhos de velhas religiões pagãs e mitologias de diversas culturas (o fato de Pi ter abraçado muitas religiões), ou a liberdade que Pi dá ao escritor que contará sua história para fazê-lo do jeito que lhe convir, já que as próprias histórias da Bíblia, Torá, Alcorão etc são escritas por terceiros (ou quartos, quintos, sextos), que, na melhor das hipóteses, estavam presentes aos acontecimentos e os narram de acordo com sua ótica, mas geralmente narram histórias que vinham sendo contadas há diversas gerações.

Ao final do filme fica claro, ainda, que sua aventura não passava de uma alegoria, sendo cada animal a representação de uma pessoa diferente, e o jeito como Pi trata a questão é típico de uma boa história bíblica para boi dormir: se ele era o único presente que poderia passar a história adiante, que diferença faz se ele a conta de um jeito ou de outro? Resta ao interlocutor aceitar e, literalmente, falar amém, já que a lógica é um mero detalhe.

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Holy Motors

holy-motorsEste foi o primeiro filme que assisti no cinema do CIC desde sua reabertura, então já faz um tempinho, talvez uns seis meses. Desde que vi o filme e até o atual momento me sinto dividido com relação a ele. Saí do cinema confuso, mas lendo sobre ele depois na internet a confusão deu lugar a uma grande admiração. Que infelizmente não foi capaz de me fazer esquecer de uma ponta de insatisfação, que não saberia explicar.

O filme acompanha um dia na vida de Oscar, andando por vários cantos da cidade em uma limosine enquanto se prepara para uma curta encenação, vestindo-se e lendo roteiros entre uma performance e outra. Belas histórias são contadas em diversas dessas encenações, outras já parecem não levar a lugar algum, só tendo me deixado mais confuso. Depois de todas as experiências vividas pelo protagonista ao longo do dia, sua motorista leva a limosine até uma garagem onde várias outras limosines se encontram estacionadas… e elas começam a conversar entre elas, sobre o medo de serem consideradas obsoletas.

É, acho que saquei a origem da minha insatisfação. Foi esse final do filme. Porque todo o resto, apesar de uma ou outra parte mais tediosa, é bom, e é bonito, principalmente o arco envolvendo a Kylie Minogue.

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O Demolidor

o-demolidorUm policial badass (Stallone) e um terrorista psicopata (Snipes), grandes inimigos, são congelados como punição depois que o primeiro fracassou em uma missão para prender o segundo, numa emboscada armada por este. Descongelados várias décadas depois, ambos tocam o puteiro numa cidade pacífica do futuro, onde até falar palavrões como “porcaria” (que, como fomos ensinados por nossos tradutores bem educados, é a tradução de “shit”) rende multas instantâneas.

O filme é um fiasco, mais um entre tantos filmes de ação dos anos 90 que tentam reprisar o sucesso de seus antecessores oitentistas, mas vale a experiência de rever este e outros filmes pelo saudosismo. E só.

Chegamos ao fim de mais um review curtinho, feito por obrigação moral.

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Círculo de Fogo

circulo-de-fogoDaileon, Gundam, Optimus Prime, Megazord entre outros, quem passou a infância nos anos 80 e 90 e era meio nerdão certamente nutria grande fascínio por monstros e robôs gigantes. Muito populares na cultura japonesa, mas também infiltrados na cultura ocidental em alguns casos de sucesso, o enredo básico envolvia um monstro gigante (ou um monstro que se tornava gigante em dado momento da narrativa) e um (ou mais) herói que comandava um robô igualmente gigante para aniquilar o inimigo.

Círculo de Fogo não busca reinventar o gênero, nem adicionar profundidade à trama: é um filme que, por ser mais bem feito que os antigos tokukatsus que víamos quando crianças (e que eram perfeitamente satisfatórias para a nossa mentalidade da época) passa pelo crivo do nosso senso estético e percepção de realidade exigentes que adquirimos ao longo dos anos. Se um robô de papelão parecia algo aceitável para uma criança de 7 anos, o adulto que essa criança se tornou já não se contentará com pouco, e neste ponto o filme se sai bem.

A comparação com Neon Genesis Evangelion é oportuna e inevitável, já que naquela história também havia a ameaça de monstros gigantes (os Angels) que eram combatidos pelos robôs (EVAs) controlados por humanos por meio de uma conexão neurológica. Se fôssemos comparar ponto a ponto acharíamos muitas outras semelhanças, mas acho que já deu pra entender. A diferença principal é a carga dramática contida em Evangelion, que, por dispor de mais tempo, explora com sucesso a vida miserável de cada uma das crianças que pilotam os EVAs, enquanto em Círculo de Fogo não há muito o que explorar em pouco mais de duas horas de projeção.

Gostei demais do filme, recomendo aos amigos com histórico de nerdice na infância, e agora dá licença que eu vou lá ver O Pirata do Espaço.

(IMDb)

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