A Viagem

a-viagemDesde que fiquei sabendo da existência do projeto dos Irmãos Matrix me interessei muito pelo filme, mesmo não sabendo muito bem do que se tratava, e apesar de óbvia característica que remete ao espiritismo. Alguns meses depois, e com um título que dá vontade de cometer suicídio, finalmente pude assisti-lo.

A Viagem conta seis histórias diferentes, que se passam em momentos distintos na escala de tempo (do século XIX até algum ponto num futuro distante), e de alguma forma vai estabelecendo ligações entre as histórias e seus personagens. Baseada num livro homônimo (homônimo em inglês – Cloud Atlas -, porque espero que não seja chamado também de “A Viagem” quando chegar ao Brasil), a ideia é muito interessante, mas algumas características tornaram o filme mais confuso do que ele deveria ser, como, por exemplo, o fato de os mesmos atores interpretarem personagens diferentes em cada uma das seis histórias.

Bom, não vou negar que é interessante ver um ator interpretar personagens tão diferentes, mas isso tirou o foco do filme e colocou dúvidas em demasia na cabeça de quem procurava entender o que estava vendo na telona: enquanto o filme procura deixar clara a relação entre os personagens que possuem uma marca de nascença no formato de um cometa (no caso, seria esta marca que caracterizaria as reencarnações nos diferentes períodos), a presença dos mesmos atores nas diversas histórias acaba dando a impressão que eles, também, são a reencarnação das pessoas do passado que foram interpretadas por aquele ator. Além de ser uma coincidência ingênua (dúzias de pessoas reencarnariam ao longo dos séculos na mesma região geográfica, simultaneamente, sério?) parte de um princípio tolo que a pessoa manteria suas características físicas ao reencarnar. Não vou entrar no mérito dos dogmas espíritas, mas isso me parece errado.

Minha conclusão, portanto, é que o filme, na verdade, passa uma mensagem totalmente não-religiosa, e muito menos espírita: a perpetuação de uma pessoa nada tinha a ver com as reencarnações dela, e sim com os feitos delas enquanto eram vivas: o primeiro personagem escreveu um diário, que foi lido pelo segundo personagem, que compôs uma sinfonia, que foi ouvida pela terceira personagem, cuja história de vida serviu de inspiração para o quarto personagem, que escreveu o roteiro de um filme que foi visto pela quinta personagem e a inspirou a organizar uma revolução, e tornando-se mártir dessa revolução, acabou virando uma divindade para o sexto personagem.

O flme passeia por diversos gêneros: suspense, comédia, sci-fi, drama… e essa mistura, apesar de servir à trama, acaba por tornar a experiência demasiadamente heterogênea. Dá a impressão de que, ao tentar ser tudo ao mesmo tempo, acaba não conseguindo ser nada.

Gostei muito do filme, mas com algumas ressalvas. Gostaria de ler o livro para entender melhor a ideia original do autor e perceber definitivamente onde os realizadores do filme erraram.

(IMDb)

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