007 – Operação Skyfall

Assisti ontem, na pré-estreia, o novo filme da franquia 007, e como não consegui terminar à tempo de assistir e comentar todos os filmes anteriores (22 no total), terei que desrespeitar a ordem cronológica que eu havia idealizado ao me comprometer com esta missão.

Depois do fraco Quantum of Solace, que coincidiu, ainda, com problemas financeiros da MGM, a franquia passou por um hiato de quatro anos, tempo que serviu para colocar muitas dúvidas na cabeça dos fãs a respeito da qualidade e relevância do material que viria a seguir. Para nosso alívio, o filme é muito bom.

Com a tradicional cena inicial de tirar o fôlego, para já acordar o espectador que estava com sono depois de um desnecessário trailer do capítulo final da “saga” Crepúsculo, James Bond acaba baleado numa perseguição no teto de um trem e é declarado morto. Os créditos iniciais são inspiradíssimos, e a música cantada pela Adele, é muito boa (longe de estar entre os melhores temas de 007, mas ainda assim uma ótima música).

A trama do filme trata de um criminoso que rouba uma lista com as identidades de todos os agentes secretos da OTAN infiltrados em organizações terroristas pelo mundo. Independente do fato da existência de tal lista existir ser de uma burrice sem tamanho, o fato é que a lista agora está nas mãos de um ex-agente da MI6, antigo “queridinho” da M, que por motivos de spoiler prefiro não revelar suas intenções.

Quando ocorre a explosão da sede da MI6, M passa a ser contestada na chefia do órgão, já sendo tudo preparado, contra sua vontade, para sua aposentadoria. Com o atentado terrorista, James Bond volta de sua vidinha de “falecido” e aposentado para descobrir quem está com a lista e impedi-lo de pôr em prática seu plano (seja lá qual for).

O grande acerto desse filme foi reestabelecer um elo com os “clichês” da série, que nos últimos anos eram tratados como se devessem ser ignorados a qualquer custo. Graças a essa fuga de elementos tradicionais da franquia, os filmes mais recentes foram acusados de procurar se aproximar da fórmula consagrada pelos filmes da trilogia Bourne. Acho normal apostar na modernização do personagem, mas os dois últimos filmes marcaram um intencional desvio da história construída ao longo de décadas que parecia não ter volta.

Ao reinserir elementos clássicos e até fazer menção aos que não puderam ser reaproveitados, o diretor encontra o equilíbrio que faltou em Casino Royale e Quantum of Solace. Por exemplo: com o retorno de Q, era de se esperar que os gadgets mirabolantes também voltassem, mas apenas dois itens são entregues por ele ao 007, que ironiza a escassez de “brinquedos” e recebe como resposta algo que serve como explicação para essa nova realidade (“esperava o que? Uma caneta que explode? Isso é coisa do passado“).

Os boatos de que Moneypenny estaria de volta se concretizam, e de forma que explica o histórico relacionamento entre ela e o agente secreto, de sedução mútua, mas sem nunca passar destas insinuações em local de trabalho. O destino de M neste filme também possibilita a retomada do papel por um personagem do sexo masculino, pela primeira vez desde GoldenEye, em 1995.

Fiquei procurando defeitos no filme para poder mencioná-los aqui, mas não achei nada relevante. Há de se considerar que, afinal, é um filme do James Bond, e ele é sensacional no que se propõe a fazer.

Skyfall provavelmente é o que até ontem achávamos que Casino Royale era: o divisor de águas da franquia mais prolífica da história do cinema. Se igualmente bem feitos, os próximos filmes devem confirmar isto.

(IMDb)

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