Looper: Assassinos do Futuro

Saí do cinema um pouco dividido com relação a Looper: Assassinos do Futuro. De maneira geral, gostei do filme, mas ainda não sei bem o motivo para ele não ter me deixado tão empolgado, já que trata de viagens no tempo, talvez o tema que mais desperte meu interesse em filmes.

O filme se passa em 2044, num futuro que se assemelha muito com os dias atuais. Talvez pelo orçamento reduzido (US$ 30 milhões) não tenha sido possível criar cenários mais fantásticos e simular uma tecnologia mais avançada, então o máximo que vemos é uma motoca flutuante que parece não ser muito confiável. O resto dos veículos são carros muito semelhantes aos atuais. O título se refere aos Loopers, assassinos contratados pela máfia para matar pessoas indesejadas no futuro (2074), já que lá é impossível esconder um cadáver sem que este seja descoberto pela polícia. Logo na introdução do filme esse modus operandi já é explicado. Com a invenção da máquina do tempo e a imediata proibição de seu uso, somente organizações criminosas a utilizavam, e com este propósito. O Looper espera em um determinado local no presente até que, no horário estabelecido, o quase-defunto do futuro aparece amarrado e com um saco na cabeça, sendo imediatamente morto pelo assassino que o aguardava.

O nome Looper se deve ao fato de que o assassino, ao completar 30 anos de serviço, é capturado pela máfia e enviado ao passado para ser morto por ele mesmo, no início da “carreira”. Desta forma, encerra-se o “loop”. O problema ocorre quando Joe (Joseph Gordon-Levitt), se distrai ao ver sua versão 30 anos mais velha (Bruce Willis) à sua frente e é golpeado, deixando que o Joe do futuro fuja. O que ocorre é que o Joe velho tem um plano: matar o chefão da máfia em 2074 em sua infância, em 2044.

Qualquer semelhança com O Exterminador do Futuro não deve ser mera coincidência, pois até a mãe do garoto se chama Sara (Emily Blunt), a exemplo da Sarah Connor.

Uma coisa realmente admirável no filme é o trabalho para tornar o rosto de Gordon-Levitt mais parecido com o de Willis. Logo no início cheguei a estranhar a boca do jovem ator, que teve a região do “bigode” alongada e o lábio superior quase desapareceu. Mais tarde percebi que clarearam os olhos e até “entortaram” o nariz do ator, além de uma aparente engrossada no pescoço. Posso estar enganado, pois sou meio desligado, mas acho que essas mudanças no rosto do jovem Joe não são perceptíveis desde o início do filme, para não causar estranheza o rosto deformado de um ator que já é bem conhecido do público, mas elas vão ocorrendo gradualmente até o ponto do filme em que os dois atores aparecem simultaneamente e as semelhanças precisam ser evidenciadas. Se isso ocorreu mesmo, palmas para a equipe.

Outro mérito do filme é a exploração do conceito de “memória” na viagem no tempo, já que tudo o que o jovem Joe sabe, o velho também sabe, embora a recíproca não seja verdadeira, e tudo o que o jovem Joe vivencia no presente, o Joe do futuro passa a saber na mesma hora, pois aquilo passa a fazer parte de sua memória, bem como feridas sofridas pelo jovem Joe automaticamente geram cicatrizes em sua versão mais velha.

Apesar de todos os acertos conceituais e de execução, o que me deixou um pouco insatisfeito foi a questão da mutação em algumas pessoas que desenvolveram um poder de telecinese, um conceito que parece meio “solto” mas que vai ganhando importância ao longo do filme.

Ainda assim, trata-se de um bom filme e que vale a pena assistir, e todos os méritos são de Rian Johnson, que além de diretor é também o roteirista, tornando-se uma nova promessa no meio da ficção científica.

(IMDb)

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