Moscou Contra 007

Eis aqui um caso em que a tradução do título original desvirtua completamente a história do filme. Em From Russia with Love, segundo filme do agente 007, lançado um ano após Dr. No, James Bond é enviado para uma missão na Turquia e outros locais do leste europeu para conseguir um equipamento decodificador pertencente aos soviéticos. A missão é, na verdade, uma armadilha criada pela organização SPECTRE que, visando apoderar-se do aparelho assim que Bond o tivesse em mãos, usa  a MI6 e os soviéticos como marionetes sem que estes desconfiem. Moscou não está, portanto, contra 007. Na verdade, Moscou está COM 007 nessa cilada (essa palavra provavelmente nunca mais será proferida sem que se lembre de Carga Pesada).

Com uma cena de abertura que nos apresenta ao vilão do filme matando um homem que até certo ponto achávamos ser Bond, Moscou Contra 007 já nos dá noção da ameaça representada pelo personagem: um soldado da SPECTRE que mais tarde viria a ser o encarregado de se livrar do agente secreto para pôr as mãos no decodificador. A Bond-Girl da película é uma agente secreta russa que, sem saber estar sendo manipulada pela SPECTRE, finge ser apaixonada por Bond (não fica muito claro em que ponto isso deixa de ser um fingimento, mas que diferença faz, afinal?).

A música de abertura é de muito bom gosto, e as imagens de corpos de mulheres com projeções em luz contendo os créditos do filme iniciam a tradição de aberturas estilosas que acontecem até os dias de hoje (em Dr. No a abertura é mais simples, só com bolinhas coloridas de diferentes tamanhos se movimentando pela tela).

Certos cuidados foram tomados para este filme, ao contrário do anterior, com relação a escalação do elenco, que contou com vários atores das etnias representadas, ao invés de atores com claros traços caucasianos disfarçados por maquiagens pouco eficientes. Infelizmente, grande parte dos atores teria suas falas dubladas por outras pessoas na pós-produção, artifício que se repete por mais vários filmes. Além disso, a injeção de mais dinheiro tornou possível cenas como a perseguição final, de barco, com várias explosões, bem como o constante uso de um helicóptero que viria a ser destruído.

Este filme marca a primeira aparição de Q (neste filme citado nos créditos como “Boothroyd”), interpretado por Desmond Llewelyn pela primeira vez, o que viria a se repetir até sua morte, em 1999, e as bugigangas se resumem a maleta multiuso do agente, com facas escondidas, truques para abertura etc. Como curiosidade, o vilão também possui um gadget digno de Q: um relógio cujo botão de ajuste esconde um fio finíssimo, mas muito resistente, utilizado para enforcar as vítimas.

Trata-se, enfim, de um bom filme, divertido, com cenas de ação cada vez melhores, e que mostra uma franquia em evolução.

(IMDb)

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