007 Contra o Satânico Dr. No

Mês passado, quando fiquei sabendo das “comemorações” dos 50 anos da franquia cinematográfica do James Bond, resolvi baixar todos os filmes do personagem para assisti-los em ordem cronológica, algo que há anos eu tinha vontade de fazer, e até cheguei a tentar, em uma ocasião (mas fora de ordem).

Até o momento em que escrevo este post, assisti os quatro primeiros filmes. Vou tentar passar minhas impressões sobre a evolução da franquia e dos personagens (é possível notar uma pequena evolução já nos primeiros filmes, e não somente evoluções de ordem orçamentária). O foco não será falar tecnicamente dos filmes, primeiro pois não tenho tanto conhecimento pra desempenhar este papel, e segundo porque os filmes do 007 nunca foram um primor técnico, e acredito que nunca houve esse interesse, tanto que só agora, com Daniel Craig no papel principal, os produtores passaram a se preocupar com a contratação de diretores com algum talendo comprovado para a função.

Dr. No, que no Brasil foi chamado de “007 Contra o Satânico Dr. No” (os títulos nacionais são interessantes, as vezes desvirtuam totalmente a ideia do filme, noutras apenas deixam um pouco mais claro do que se trata)  foi um filme de baixíssimo orçamento, mesmo para a época, em que foi escolhida uma história que envolvesse poucas locações (apenas Jamaica e Londres) para evitar o gasto excessivo. Neste filme, James Bond é enviado à Jamaica para investigar o desaparecimento do emissário da MI6 naquele país, e acaba se envolvendo na investigação de um misterioso chinês que tem alguma operação secreta numa ilha próxima.

Neste filme ainda não vemos as bugigangas tecnológicas de Q, mas já é possível notar um padrão que viria a se repetir até os dias de hoje, como a ambientação em locais exóticos, a abertura estilosa com uma  música impactante, o estilo bon vivant do personagem e, claro, as “bond girls”. Vendo o comportamento do personagem com relação às mulheres sob a ótica dos dias atuais, muitas coisas se tornam altamente condenáveis, com o agente secreto constantemente apelando para o uso da força física para atingir seu objetivo. E por mais que, ao final, a mulher acabe cedendo (e gostando), a atitude não se torna menos reprovável. Esta característica é algo que, felizmente, não me recordo de ter visto nos filmes mais recentes da franquia.

Outra característica interessante destes primeiros filmes do James Bond (não sei se isso muda a partir do quinto filme, mas certamente comentarei aqui) é a criação da organização SPECTRE como grande antagonista da “paz da rainha”, ao invés de vilões mais óbvios para o contexto: os soviéticos. Não sei se foi por precaução, mas é fato que no início, a franquia 007 optou por não vilanizar os russos (com exceção do segundo filme, onde alguns dos vilões são russos, mas empregados pela SPECTRE). No caso de Dr. No, a organização SPECTRE não é nominalmente citada, mas no filme seguinte fica claro que o vilão oriental pertencia ao grupo.

O filme é repleto de cenas de combate corporal e tiroteios, mas muitas vezes estes são pouco convincentes, cabendo ao espectador “entrar” na projeção e relevar certos detalhes como mortes sem sangue e socos no ar. O terceiro ato, na ilha do Dr. No, é mais eficiente ao gerar um clima de tensão por estarem num local amplamente vigiado e praticamente indefesos. Quando somos finalmente apresentados ao vilão que empresta o nome à película, a óbvia maquiagem para transformar o ator (ocidental) em um chinês “not made in china” causa certo constrangimento.

Em resumo, o filme é legal, interessante, com alguns pontos fracos, mas serviu mais como uma “escada” para tornar o personagem mais conhecido ao público com baixo risco de prejuízo e alavancar a franquia mais longeva da história do cinema.

(IMDb)

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