O Festim dos Corvos (As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Quatro)

Quem acompanha esta série de livros já deve saber, mas ao contrário dos três livros anteriores, o que deveria ser o quarto livro tinha um número absurdo de páginas devido à quantidade de personagens aos quais o autor cedeu o “ponto de vista”, ou seja, os capítulos narrados de acordo com o que determinado personagem presenciava e pensava. Para contornar a situação, o livro foi dividido em dois, onde cada um ficou com uma parte dos personagens. Infelizmente, na divisão, “O Festim dos Corvos” saiu em desvantagem, pois ficou com a ingrata tarefa de contar algumas das histórias mais aborrecidas e menos interessantes, ao meu ver, além de, pela primeira vez, não terminar com uma grande guerra ou pelo menos algum acontecimento grandioso.

É interessante notar como a história evoluiu ao longo do tempo. Se no início tudo era motivo para sacar a espada e fazer voar sangue pelas páginas, agora já não há mais tantos embates, sendo as desavenças resolvidas na base dos acordos e traições. Das duas batalhas contidas no livro, uma não é narrada (em Pedra do Dragão, apenas relatada por personagens que participaram dela) e a outra é muito curta (ataque dos homens de ferro à foz do Vago).

Alguns capítulos eram realmente chatos de se ler, principalmente os de Alayne (Sansa Stark, disfarçada no Ninho da Águia), mas pelo menos até agora, todas as coisas triviais que acontecem parecem servir para algum acontecimento futuro. O único caso que eu ainda fiquei pouco satisfeito ao final do livro foi o de Brienne, que passou o livro inteiro correndo de um lado para o outro sem chegar a lugar algum. Tudo bem, foi feita uma grande revelação no último capítulo em que ela aparece, mas pelas pistas que eram dadas ao longo do livro, não era a coisa mais surpreendente do mundo.

Um personagem que simpatizei bastante foi Jaime Lannister. Parece que tudo o que havia de irritante nele sumiu junto com sua mão direita. Cersei, sua irmã, por outro lado, mergulha num estado de loucura e paranoia, o que a torna uma das últimas personagens indiscutivelmente “más” da história.

Em Dorne, surge um novo núcleo da história, centrado em Arianne Martell, mas narrado também por outros personagens, algumas revelações muito importantes são feitas, e alguns planos são revelados, o que aumenta a expectativa para o sexto livro (já que o quinto abordará o mesmo período de tempo deste, apenas na visão de outros personagens). Outras revelações importantes são feitas nos capítulos envolvendo o patrulheiro da muralha Samwell Tarly, inclusive o motivo pelo qual os elementos mágicos daquele universo praticamente desapareceram nos últimos anos.

Se este livro perde muito em ação, ganha em manipulações, aprofundamento dos personagens e ampliação do mundo que conhecemos (quase todos os locais de Westeros, e muitos de Essos, são palco de importantes acontecimentos, se juntarmos O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões).

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