Fahrenheit 451

Há uns três ou quatro anos, em um daqueles “balaios” de DVDs das Americanas, comprei o filme Fahrenheit 451, dirigido por Truffaut na década de 1960. Até hoje não o assisti, por pura falta de interesse. Há cerca de um ano, me deparei com o livro em promoção e, uma vez comprado, só agora o li.

Escrito em meados dos anos 50, Fahrenheit 451 se passa algumas décadas no futuro, em um tempo onde livros são proibidos e o simples fato de possuí-los lá configura o crime. Na época em que a história se passa, as casas são revestidas por um material não-inflamável, o que tornou a existência dos bombeiros inútil. Foi quando eles passaram a encher seus caminhões com querosene e sua função passou a ser atender às denúncias de posse de livros, ir até o local e queimar todos eles.

O personagem principal do livro é Guy Montag, um bombeiro que, certa noite, voltando para casa após o trabalho, se depara com uma garota na rua que lhe desperta a curiosidade sobre hábitos há muito tempo abandonados, como conversar com os familiares e olhar para as estrelas. O contato diário com a garota vai remodelando a personalidade de Montag, até que, um dia, a garota desaparece. A partir daí, o bombeiro se torna cada vez menos cuidadoso, revelando possuir uma pequena coleção de livros escondida em sua casa (que nunca se atrevera a ler), e acaba se tornando o centro da “revolta” contra a queima de livros.

Fahrenheit 451 é uma ficção com um tema meio forçado, é verdade. Imaginar uma sociedade que reprime a simples posse de livros, de qualquer natureza que seja, nas proporções narradas, me parece muito fora da realidade, ainda mais considerando a atual facilidade de armazenar o conteúdo de uma biblioteca inteira em um HD móvel. Mas a crítica feita à sociedade da época segue válida até os dias de hoje. Já há mais de 50 anos, quando o livro foi lançado, havia esta preocupação com a banalização da violência (crianças dirigindo um carro em alta velocidade que tentaram atropelar o protagonista), a busca pela felicidade a qualquer custo (Mildred, a mulher de Montag, que passa todo dia, o dia inteiro, vendo uma espécie de televisão ultra-realista, e vive a base de remédios), a massificação da propaganda, o Estado autoritário, a alienação da população com relação a assuntos que só lhes traria preocupações, crianças sendo educadas desde cedo a essa nova realidade, com quase zero contato com os pais etc.

Anúncios

Marcado:, ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: