2 Coelhos

Fiquei interessado por este novo filme brasileiro vendo a propaganda na TV, e fiz algo que não estou acostumado: assistir no cinema no fim de semana de estréia. Tinha medo que a sessão fosse estar cheia, mas posso dizer que fiquei até decepcionado com o fraco comparecimento de público no local. O cinema brasileiro enfrenta vários problemas, entre eles: descaso do público, falta de oportunidades de entrar no circuito comercial e lançamentos de baixa qualidade patrocinados pela Globo Filmes. Filmes como Se eu fosse você, Os Normais, As Aventuras de Agamenon, Olga, Divã, Os Porralokinhas, além dos ridículos filmes da Xuxa e do Didi, entram no circuito comercial nas cotas reservadas para filmes nacionais, deixando de fora ótimos filmes que, normalmente, terão sua exibição reduzida a festivais e uma ou outra sala de cinema.

Felizmente não foi o que aconteceu com este 2 Coelhos, um ótimo filme, escrito e dirigido pelo estreante Afonso Poyart, com clara influência de Guy Ritchie. Conta a história de Edgar, um desses playboys que não faz nada da vida, mas bola um plano para “matar dois coelhos com uma cajadada só”: crime organizado e governo. Diferente do que se possa pensar, o diretor focou nos poderes judiciário e legislativo, e aliviou o lado do poder executivo. Não dá pra revelar muita coisa da trama pois isso seria um desperdício, já que o roteiro traz novas revelações a cada instante, algumas realmente surpreendentes, outras nem tanto.

2 Coelhos pode não ser um primor técnico, mas é corajoso a ponto de dar a cara à tapa, usando alguns efeitos especiais e técnicas normalmente ignoradas por aqui. A cena em animação 3D no início do filme, simulando o protagonista como se estivesse no jogo GTA, ficou interessante, mas uma outra parte animada, que inclusive aparece no trailer, foi totalmente desnecessária, quebrando o ritmo da narrativa sem adicionar nada à história. Outro ponto negativo foi um flashback para explicar algo sobre a quadrilha do Maicon, feito no estilo “cinema mudo”, com aquele tom sépia e as pessoas se movimentando “rapidinho”. Desnecessário e sem graça.

Aparentemente, com pouco dinheiro só puderam comprar os direitos de uma música para os momentos mais emocionantes do filme, e a música era justamente do 30 Seconds do Mars. Para compensar, tem tambem uma música do Radiohead na trilha.

As atuações no filme foram muito convincentes, me diverti muito com o sadismo do Maicon, a displicência de Edgar (até no jeito de falar ele é meio displicente, me lembrou o jeito de cantar do vocalista do Moptop) e a voz fina do Henrique, principalmente quando este se exalta.

Enfim, o filme tem seus defeitos, mas é um tapa bem dado na cara de quem assiste poucos filmes brasileiros e faz questão de sair falando que o cinema nacional é uma merda.

(IMDb)

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