Enter the Void

À procura de algum filme “diferente”, lembrei do diretor de Irreversível, Gaspar Noé, e fui atrás de sua filmografia para saciar esta vontade. Enter the Void (até onde consegui me informar, ainda sem título em português) é o trabalho mais recente do diretor francês, ambientado no Japão e com uma temática que, à primeira vista, não me entusiasmou muito.

O resumo do IMDb, entretanto, não dá a menor ideia do que me esperava ao assistir este filmaço. A inventividade do diretor novamente se mostrou fundamental para que o filme prendesse minha atenção do primeiro ao último minuto, a começar pela abertura insana ao som de música eletrônica e efeitos visuais epilépticos nos créditos iniciais até o uso da câmera em primeira pessoa (alçado ao patamar de genial ao mostrar o protagonista à frente do espelho como se nós mesmos estivéssemos ali refletidos), as luzes, cores e toda a viagem narcótica que já se mostrava fortemente presente em seu Irreversível.

Enter the Void tem uma história simples, que só pôde ser transformada em algo interessante pela já mencionada criatividade de Gaspar Noé. No filme, os irmãos Oscar e Linda se reencontram no Japão depois de terem sido separados em orfanatos diferentes após a morte de seus pais em um acidente automobilístico. Feita a promessa, ainda na infância, de que um cuidaria do outro para sempre, mesmo depois que um deles morresse, acompanhamos já no início da fase adulta Oscar sendo assassinado pela polícia que tentava prendê-lo por tráfico de drogas. A partir de então acompanhamos o espírito de Oscar perambular pelo presente e pelo passado, testemunhando as atitudes de sua irmã e de pessoas ligadas aos dois.

O filme é esteticamente perfeito, prima pela perfeição gráfica e pelo inconvencional e, apesar de suas mais de duas horas e meia, só perde um pouco de seu ritmo frenético chegando ao seu final, quando testemunhamos um final feliz em uma longa sequência contemplativa cheia de efeitos visuais que me lembrou muito 2001: uma Odisseia no Espaço.

 

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Um pensamento sobre “Enter the Void

  1. Sarah Silvestre 28/02/2011 às 22:26 Reply

    Freudiano de cabo-a-rabo. Magnífico.

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